O sonho de inovar!

Não é de hoje que a palavra inovação está na cabeça de muitos que estão ligados, direta ou indiretamente, ao setor produtivo brasileiro.

Mas, a inovação não é um fenômeno simples e de execução linear, ou seja, a empresa pensa, emprega esforços e, de repente, surge a inovação. Para que a inovação ocorra, e geralmente ela ocorre na empresa, é necessário que haja um conjunto de ações e atores no entorno da empresa.

Geralmente esse entorno está circunscrito geograficamente, numa cidade, ou numa região maior, mas não muito maior que algumas cidades vizinhas. A inovação é, também, um fenômeno geograficamente localizado e dependente de benefícios e facilidades existentes naquele local.

Esses benefícios são oriundos da integração desses 4 P´s no ambiente regional, quais sejam:

a)       O Público (Public) – a atuação do setor público na coordenação dos agentes, com a orientação dos setores da economia para qual tipo de esforço inovador pode ser feito e com a orquestração das organizações de apoio à inovação existentes.

b)      O Privado (Private) –  o esforço do setor privado no sentido de executar estratégias de inovação que melhorem seu posicionamento frente a concorrência, se articulando com os demais agentes e na perspectiva da inovação aberta, onde os inputs para a inovação são buscados em variadas fontes.

c)       As Pessoas (People) – o capital humano da localidade, dotado de competências e habilidades capazes de absorver novos conhecimento e aplica-los em diversos mercados, principalmente fora daquela região.

d)      O lugar (Place) – a região (cidade ou conjunto de cidades) que permite que haja proximidade física, de aprendizado e conhecimentos entre os diversos agentes do sistema de inovação. O lugar também tem que estar preparado para servir de apoio ao desenvolvimento da inovação, seja com infraestrutura, com ambientes de inovação ou com estímulos locacionais para os diversos agentes necessários para o desenvolvimento tecnológico.

Contudo, essas categorizações não funcionam de forma suave e linear, mas em movimentos de fluxo e refluxo de ações, instituições, empresas e condições do ambiente empresarial, principalmente em regiões com grandes desigualdades de renda e capacitação de mão-de-obra. Essas desigualdades dificultam o aprendizado e a absorção de tecnologias relevantes para o bom funcionamento empresarial. Geralmente é assim que o esforço inovador se dá no Brasil.

Mas, particularmente, o estado de Santa Catarina tem se mostrado perseverante em modificar essa realidade de desigualdade, soluções de continuidade política, além dos fluxos e refluxos intensos e que refreiam o desenvolvimento econômico.

Santa Catarina, atualmente, é o segundo estado do Brasil em competitividade perdendo apenas para São Paulo e superando o Paraná (https://goo.gl/MRKvJT). Em 2016 o estado era o 3º.  

Em Santa Catarina há um esforço coletivo para que haja a real integração dos 4 Ps e que isso resulte em algo consistente, como as 2.000 empresas comprovadamente inovadoras que existem no estado. A última demonstração do esforço de integração dos 4 Ps e compromisso com o desenvolvimento do estado foi a celebração do Pacto pela Inovação (https://goo.gl/yZ5nKW), na última segunda (30/10/2017).

Nesse evento ficou claro que não é só o Estado responsável pela articulação produtiva para a inovação, mas todas as organizações que estão interessadas no desenvolvimento econômico da região. Na ocasião foram lançados 13 Centros de Inovação, espalhados pelo estado como forma de nuclear o esforço inovador em diversas regiões do estado e retirar da capital a preponderância nessa questão. Foram 24 organizações do setor público e privado que se pactuaram formalmente com assinaturas de compromissos públicos, visando a estruturação e execução de políticas de inovação que respondam aos desafios tecnológicos enfrentados pelos diversos setores da economia daquele estado.

Mas, e Alagoas, como nós estamos?

Vou deixar abaixo uma figura para que o leitor tire suas conclusões.

 COMPETITIVIDADE AL E SC

 Bom trabalho e boa sorte!

Valor no mundo digital e complexo!

Nesse mundo de meu Deus, a complexidade impera!! Mas a complexidade não é o caos, é exatamente o que coloca o caos em ordem. Por isso a ideia de entrega de valor em um mundo complexo. Fica a pergunta: o que quer o consumidor nesse mundo de mil e uma ofertas, e muito mais?

Atualmente as empresas não mais concorrem apenas com seus vizinhos próximos em produto ou serviço, mas ao final, concorre pelo bolso do consumidor. Esse consumidor, por sua vez, se vê seduzido cada vez por mais ofertas de todos os lados, então o supermercado concorre com a companhia telefônica e com o site de notícias, seja por atenção ou dinheiro. O tempo e o salário são limitados, assim o consumidor não sai distribuindo-os de qualquer forma. Então, a proposta de valor mais vantajosa leva quase tudo. Que digam os empréstimos consignados dos bancos, dinheiro rápido e juros mais baixos do mercado, um forte atrativo para o consumidor em tempos bicudos.

Assim, um livro interessante que traz uma ferramenta bastante útil para construir uma proposta de valor consistente é o Business Model Generation – Inovação em modelos de negócio (www.saraiva.com.br). Esse livro trabalha numa tendência forte atualmente, que é a combinação do tradicional com o digital e complexo nos negócios, por isso a inovação nos modelos de negócio. E isso não está longe do mercado alagoano, pois vejamos a seguir.

Em Alagoas temos bons exemplos de negócios dessa natureza, é o caso de um empreendedor na área de bem-estar que possui um “plantel” de mais de 150 atletas amadores e coordena as atividades de todos por meio de uma plataforma digital que permite identificar a frequência e o tipo dos treinos realizados por cada atleta, em cada dia. Permitindo o acompanhamento do treino de modo individual, entregando valor de forma customizada por meio de consultorias direcionadas e treinamentos personalizados.

Uma empresa de semi-jóias artesanais exporta a partir de Maceió por meio de ferramentas do e-commerce (http://migre.me/wq58U). Um novo empreendimento de turismo em União dos Palmares utiliza as redes sociais para atrair turistas, a proposta de valor está baseada na preservação ambiental, no turismo de aventura e histórico.  São vários exemplos de negócios locais que inovaram no modelo de negócios e tem na tecnologia o fator de inovar no sistema de venda e entrega, no design do produto ou no tipo de serviço oferecido para um volume maior de consumidores (escala).

Me proponho, portanto, daqui pra frente a iniciar uma série de outros posts que irão traduzir o passo-a-passo desse método de construção de um novo modelo de negócios, a partir da sequência descrita no livro. Quando for possível, darei ênfase a mescla de produtos e serviços tradicionais com as tecnologias mais avançadas, possibilitando criar e entregar valor ao cliente de forma diferenciada. Aguardem as novidades.

Bons negócios e boa sorte!!!