Missão, inovação e crescimento: habitação no Brasil e na China.

Em números recentes fornecidos pelo IBGE (https://goo.gl/WX49kz) o número de famílias morando de favor aumentou em 7% no ano de 2017. Esses dados se tornam aparentes e nos tornam sensíveis com o aumento de pessoas vivendo nas ruas existente no país e culmina com a Tragédia do 1º de Maio no Edf Wilton Paes de Almeida, no Largo Paissandu em São Paulo.

Segundo dados do IPEA, no Brasil há um déficit habitacional de 5,4 milhões de moradias. Só em Alagoas estima-se esse déficit em cerca de 270 mil. Mesmo com o programa Minha Casa Minha Vida. Essa é a tragédia habitacional brasileira, mais uma entre tantas tragédias com as quais convive o cidadão brasileiro.

A questão da moradia é uma importante questão social no Brasil e que poderia se transformar em uma Missão do Estado na busca para estruturar um sistema de bem-estar no Brasil, utilizando a definição de Eduardo da Motta e Albuquerque (https://goo.gl/SLtKFs).  Os sistemas de bem-estar conseguem mobilizar o complexo sócio econômico de um país, região ou estado de modo a desenvolver o sistema produtivo e tecnológico local. Temos o bem montado, mas não tanto eficiente, SUS como o melhor exemplo brasileiro da questão da Missão do Estado em resolver um problema que aflige a sociedade.

A construção civil é um importante setor para o desenvolvimento, haja vista que é uma cadeia produtiva longa, tecnologicamente complexa e cujo produto está regionalmente definido, ou seja, é um produto não-exportável e de impacto local. A construção de uma residência favorece fortemente a geração de riqueza local e por conta da cadeia longa, a riqueza se multiplica para vários setores da economia do país.

Mas o cenário da construção civil no Brasil é de existência de uma enorme demanda potencial para residências e infraestrutura e uma oferta reduzida e incerta, pois é altamente dependente da conjuntura econômica e do crédito.

Essa Missão que a sociedade assume deve ser conduzida pelo Estado e envolve o enfrentamento de problemas específicos que afligem a sociedade e a habitação é um problema social gritante e mortal para nossa sociedade. Mas por outro lado, apresenta um enorme potencial de alavancar o desenvolvimento econômico brasileiro, haja vista que esse setor representa cerca de 6,2% do PIB nacional. Na China esse setor representa 15%.

O programa Chinês de habitação (atualmente Comfortable Society e Basic Housing Right), disponibilizou, em 2016, 10 milhões de habitações para famílias de baixa renda. Esse esforço do Estado Chinês se soma ao programa de liberalização econômica e da criação de novos arranjos institucionais que garantiram a propriedade privada dos imóveis e a criação de um forte mercado imobiliário nas principais cidades chinesas. A meta é em 2020 cada cidadão chinês possuir sua própria casa.

Esse esforço na China mobiliza não só as empresas de construção civil, mas também os esforços em P&D no desenvolvimento de construções mais sustentáveis, novos materiais e técnicas de construção mais eficientes, incluindo impressão 3D, além do financiamento e gestão das empresas e dos subprogramas.

A construção civil na China emprega cerca de 2,3 milhões de pessoas e movimentou em investimentos cerca de US$ 910 bi, só em 2011, por exemplo (https://goo.gl/uZxyvZ). Os investimentos dos fundos de capital de risco, em 2017, investiram cerca de US$ 12,6 bi em startups ligadas a construção civil e ao mercado imobiliário, esse número foi o triplo do registrado em 2016.

Por fim, são os desafios que a sociedade escolhe enfrentar mostra o comprometimento que todos seus cidadãos possuem com o bem-estar de todos. No Brasil precisamos ter isso em mente para entender qual as Missões que o Estado brasileiro precisa enfrentar para o bem de nosso povo. A política pública tem que chegar à sociedade e não ficar apenas em Brasília.

Nos próximos posts mais sobre empreendedorismo e inovação na China, sempre com um olhar para o nosso Brasil.

Sobre a China: construindo as instituições de mercado.

“Desenvolvimento é o princípio absoluto” – Deng Xiaoping

Esse escrito abre uma serie de outros textos que relatara minha experiência de pesquisador na China. Não tenho como discutir em profundidade as relações de negócios, mas tentarei encaixar um marco analítico com o que observei. Os textos apresentarão algumas referencias da literatura especializada, mas serão todas citadas ao final dos textos.

Yuval N. Harari, em seu excelente livro Sapiens, mostra algumas informações que podem nos fazer pensar:

1) Em 1775, a Ásia era responsável por 80% da economia mundial.

2) Nesse período, Índia e China representavam 2/3 da produção global.

3) Quando o Almirante inglês James Cook conquistou a Austrália, a China e o Império Otomano detinham melhores tecnologias para navegação que a Inglaterra.

4) Adam Smith e Karl Marx leram e emularam lições de economistas mulçumanos, anteriores a eles.

Esses são algumas informações, dentre muitas outras que deixam uma pergunta: por que o Oriente não estabeleceu a revolução industrial e a primazia do desenvolvimento/crescimento econômico, como o vivenciado pela Europa e EUA a partir de 1770? O autor responde dizendo que os asiáticos, em especial os Persas e Chineses, não precisavam da tecnologia em si, ou seja, àquela época a tecnologia era relativamente simples e poderia ser comprada no mercado, o que esses povos não tinham eram os valores, os mitos, o aparato jurídico e as estruturas sociopolíticas que levaram séculos para serem forjadas e amadurecidas no Ocidente e não poderiam ser copiadas rapidamente por países com culturas muito diferentes. Ou seja, as instituições e a trajetória histórica europeia importava.

Esse raciocínio pode ser considerado eurocêntrico, mas serve para colocar na sala de debates sobre desenvolvimento, as instituições. E a partir dessa ideia, as instituições para o desenvolvimento da China moderna.

Entendemos as instituições como as regras do jogo social e como os diversos atores econômicos (que são os jogadores) diante de uma estrutura de incentivos e restrições se comportam. E esse é o ponto, como um país que já foi potência econômica e militar séculos atrás, entra em ostracismo e se reinventa em suas instituições, recentemente, se apresentando como a nova potência do século XXI?

Aparentemente a resposta é a busca pelo desenvolvimento, mas essa busca é multifacetada e levaria vários livros para cercar um conjunto de razões. Nesse texto e nos próximos vou me focar na questão de ciência e tecnologia que eu vivenciei na China e fazer um paralelo com algum dos nossos desafios em terra brasilis.

A grande curiosidade de todos, e a minha também era, é saber como um país socialista, com um sistema econômico dito arcaico por nós ocidentais, consegue ser a potência da vez no mundo?

Antes da resposta é importante entender que a China hoje possui uma classe média com 600 milhões de pessoas, as vendas anuais de automóveis são de 24 milhões de unidades, possui 162 parques tecnológicos credenciados pelo governo central com 71 mil empresas de tecnologias instaladas nesses habitats de inovação.

Então, parte da resposta a pergunta feita anteriormente está em um artigo de Rodrik, Subramanian e Trebbi (2004), que diz que na China existe um sistema legal socialista, mas os empreendedores se sentem seguros para realizar seus investimentos, grandes ou pequenos. E isso acontece por que os direitos de propriedade são respeitados, ou seja, uma instituição liberal e típica do ocidente foi emulada e adotada por um sistema socialista.

Entre outros motivos que levaram a China a desenvolver um “Socialismo com características chinesas”, foi por conta do fracasso da Revolução Cultural Maoista em fins da década de 1960. Na década de 1970 a China resolveu incorporar instituições de mercado em sua reforma econômica, mesmo que seu sistema político fosse o socialismo. Essa incorporação se deu como alternativa ao rígido planejamento central da economia que estava matando os chineses de fome, produzindo o que não era necessário e o que era necessário não era produzido.

Mas Weinsgast (1995) argumenta que o maior avanço institucional na China foi a descentralização do planejamento e execução de políticas do nível central para o local, ou seja, o governo central chinês descentralizou, em nome de maior eficiência e rapidez para o processo de crescimento econômico, o planejamento e a execução de ações revigorantes do mercado para os governos locais das províncias. Isso realmente acontece quando se observa que a prefeitura da cidade de Xi´an, com 8 milhões de habitantes, define uma região de 5 km2 como Zona de Desenvolvimento Industrial de Alta Tecnologia (Hi-tech Zone), eu hoje abriga 30 mil pessoas empregadas em empresas de tecnologia, mas com planos para empregar 180 mil.

Esse mercado de trabalho dinâmico só pode ocorrer se houver livre fixação de preços dos salários e as empresas instaladas podem fazer negócios sem nenhum controle, caso contrário não haveria a demanda para os possíveis 180 empregados.

Mas o Estado forte se faz presente sempre, pois essa zona de alta tecnologia foi estabelecida com recursos do governo central e municipal em 1991 para receber empresas de alta tecnologia, sejam locais ou estrangeiras. Esse planejamento faz parte do esforço de desenvolvimento regional do governo central chinês, mas é totalmente executado pela prefeitura (governo local) da cidade de Xi’an. O nível de descentralização chega ao ponto de que a Universidade Federal Xi´an Jiaotong possuir um fundo autônomo e próprio para financiar a inovação, uma empresa de transferência de tecnologia e outra para administrar os imóveis onde funcionam o parque tecnológico, ou seja, a universidade é responsável por seu resultado e estabelece sua própria estratégica, mesmo sendo federal. Tudo isso, claro, dentro de uma estratégia maior de exploração das tecnologias como negócio para fazer uma China forte, segundo o mantra repetido e escrito a exaustão em vários locais e órgãos públicos e privados.

Então ficou claro que a reforma econômica chinesa, entre outras coisas, construiu um marco institucional mais arrojado e capaz de dar conta do mix de centralismo político socialista com a abertura de mercado e decisões livres a nível microeconômico. Os mercados locais e o empreendedorismo floresceram, mas a liberdade política continua regulada pelo governo central. Ao fim, atualmente a China cresce a taxas de 6,5% ao ano, já cresceu 10% ao longo da década de 1980 e parte dos 1990. Esse crescimento caracteriza a China como um dos países mais inovadores do mundo, com 1,3 milhões de pedidos de patente só em território chinês, onde o mundo todo pediu 3 milhões, em 2016.

A combinação de instituições de mercado em nível microeconômico e o centralismo político socialista, até agora vem gerando bons resultados para o povo chinês, que saiu de uma situação catastrófica pós-revolução cultural, quase entra em guerra civil em 1989 e atualmente negocia em condições de igualdade com a maior potência do século XX, os EUA. Portanto, o adágio dito pelo autor das reformas chinesas Deng Xiaoping: “ Não importa a cor do gato, seja ela preta ou branca, o que importa é que o gato pegue o rato!”, reflete bem o pragmatismo que hoje rende os resultados observados na economia chinesa.

Nos próximos posts irei me aprofundar mais sobre a questão da inovação, ciência e tecnologia na China.

Referências: 

HARARI, Yuval N.; PERKINS, Derek. Sapiens: A brief history of humankind. HarperCollins, 2017.

RODRIK, Dani; SUBRAMANIAN, Arvind; TREBBI, Francesco. Institutions rule: the primacy of institutions over geography and integration in economic development. Journal of economic growth, v. 9, n. 2, p. 131-165, 2004.

WEINGAST, Barry R. The economic role of political institutions: Market-preserving federalism and economic development. Journal of Law, Economics, & Organization, p. 1-31, 1995.

Pontes do Golfo

Graciliano Ramos, segundo consta em vários comentários, era carrancudo e mal-humorado, além claro de ser um dos maiores escritores que o Brasil já teve. Uma de suas histórias de mau humor dá conta de uma conversa que ele teve com um jornalista sergipano, exatamente sobre Alagoas e Sergipe, ele comentou que deveriam bombardear a Foz do Rio São Francisco e transformar os dois estados em um golfo, afinal, dizia o Mestre Graça, todo grande país tem um Golfo. Como ele próprio falou: o Golfo das Alagoas.

Pois é, a ideia do golfo refletia a pouca expressividade de Alagoas e Sergipe em termos nacionais. Apesar da terra Caeté ter sido berço de dois presidentes da República, políticos influentes desde o império e outas personalidades com referencias nos corredores palacianos do Rio de Janeiro, além de outros alagoanos ilustres nas ciências e nas artes, mesmo naquela época.  

Mas parece que o vaticínio do Mestre Graça aconteceu, pois para Alagoas só restou a rabeira dos processos de desenvolvimento que nosso país passou desde que se tornou independente. Depois de 1817, Alagoas muito andou para ficar no mesmo lugar, estagnada num grande canavial, com tudo o que isso representa.

Mas agora, depois de 200 anos a libertação está para ocorrer. O debacle do setor sucroalcooleiro e a ascensão, mesmo que tímida e lenta, de uma nova categoria de empreendedores alagoanos sinaliza para a diversificação produtiva há tanto esperada.

No campo, a cana ainda resiste, mas já há sinais de produção consorciada, os testes com a soja, a produção de ovinoscaprinos, eucalipto, horticultura, além da água no canal do sertão que poderá potencializar o esforço no projeto de diversificação da agricultura alagoana, que entre idas e vindas, vem sendo tocado desde o final da década de 1990.

Em Maceió, cidade extremamente favelizada e pobre (a renda média do estado em que é capital de apenas R$ 658,00), sobrevive e luta um grupo de empreendedores inovadores – digitais e industriais – que está fazendo a diferença e construindo pontes a partir desse lado do golfo. Essas empresas possuem clientes fora do estado, capacitam seu pessoal de forma a valorizar competências e habilidades, seus proprietários aprenderam fora do estado ou vieram de fora para viver em Alagoas e, o mais importante, trouxeram uma forma de pensar e agir pouco comum para os empresários tradicionais nessas terras.

Mas faço o registro de um outro grupo de pessoas que tenta construir outras pontes a partir do Golfo das Alagoas e tenho a sorte de ser amigo de alguns. Esse grupo é de professores, pesquisadores e inovadores na forma de passar conhecimento, mudar a mentalidade de nosso povo a partir de seu trabalho diário, no ensino e na pesquisa. Inicialmente, registro os esforços de meu amigo Eduardo Setton que desde que assumiu a Secretaria de Ciência e Tecnologia do Estado de Alagoas (SECTI) vem tentando construir pontes a partir do golfo. As grandes figuras alagoanas e meus amigos, Josealdo Tonholo, Reynaldo Rubem e Antonio Oliveira (o Toni) que tão bem representam nosso estado em fóruns fora das terras Caetés, que representem também tantos outros alagoanos que vem trabalhando, silenciosa e arduamente, para construir pontes e ligar o Golfo em outras praias.  O amigo alemão Peter Focke que mesmo nessas terras estranhas, construiu raízes e trabalha, ensinando a língua universal, o inglês, para vários alagoanos construírem suas pontes internacionais. E por fim, meu camarada Araken Lima, outro alagoano que luta incessantemente a partir de suas bases fora de Alagoas para a construção de pontes e que construiu essa que está nos levando à China.

É nesse intuito que parto para uma aventura chinesa, levando na bagagem a vivência e a experiência do convívio com essas pessoas amigas na luta para a construção de pontes. Visitaremos universidades e vários habitats de inovação onde iremos fazer várias apresentações e aulas, sempre com o intuito de construir a partir do Golfo das Alagoas pontes suficientes para ajudar a trazer para nossa terra o desenvolvimento que ela tanto necessita.

Alagoas tem empregos, mas com salários muito baixos.

Na virada dos 1970 para 1980, Maceió possui cerca de 400 mil habitantes e todo o estado de Alagoas possuía 1.982 milhão de pessoas, das quais 51% estavam nas regiões rurais do estado.  Se estabelecia na capital uma classe média formada por funcionários públicos, fornecedores de cana e profissionais liberais, resultado das políticas de incentivo ao crescimento econômico conduzida pelos militares. Essas políticas, em Alagoas, impactaram diretamente no fortalecimento do setor sucroalcooleiro e na expansão da máquina pública patrocinada pela dobradinha Suruagy – Guilherme Palmeira entre 1975 – 1986. Essa época marcou até hoje o desenvolvimento do estado. E é sobre esse desenvolvimento que tentarei discorrer mostrando alguns dados recentes do emprego no estado.

Os dados de emprego no Brasil para 2017 não refletem a animação com a economia que o governo trata de propalar, mas convenhamos, os ministros têm que defender o deles e nós temos que desconfiar quando a esmola é grande. A desconfiança começa pela futurologia do crescimento da economia em 2018 de cerca de 3%, que é aposta do governo e alguns economistas ligados a ele. Ora, nada garante isso, pois o ano está só começando e ainda temos copa e eleições, fenômenos que param o Brasil.

Além disso, houve uma destruição real de 7 milhões de vagas nos últimos anos de crise e que não são refeitas em um ou dois anos. Talvez não sejam nem mais refeitas, dado a mudança estrutural que o emprego está tendo no mundo todo, ou seja, está mudando o que chamamos de emprego. Que o diga a reforma trabalhista com o trabalho intermitente.

Entender o comportamento dos empregos e salários, ajuda a entender a economia real e os caminhos futuros dessa economia. A questão é que dados do mercado de trabalho traduzem melhor o que está acontecendo com a economia real, ou seja, com a economia nas empresas e nas famílias. Se as empresas sentem que a economia está mal, elas demitem e isso impacta diretamente no poder de consumo das famílias, que passam a consumir menos e afetam a percepção sobre a economia por parte das empresas. É um ciclo vicioso e complicado, por isso que alguém precisa dizer que está tudo bem e vai melhorar e isso é feito, geralmente, pelos governos.

Pois bem, quando a gente se debruça sobre os dados recentes de Alagoas e olha lá para trás, como eu sugeri no segundo paragrafo desse texto, a gente entende a situação atual na qual estamos. Vejamos alguns dados recentes, agora:

Empregos líquidos por faixa salarial

Faixa salarial 2016 2017
Até 0.50 124 386
0.51 a 1.0 793 1086
1.01 a 1.5 -2487 -5317
1.51 a 2.0 -5176 -2136
2.01 a 3.0 -1981 -973
3.01 a 4.0 -586 -405
4.01 a 5.0 -320 -248
5.01 a 7.0 -315 -300
7.01 a 10.0 -273 -191
10.01 a 15.0 -191 -134
15.01 a 20.0 -61 -58
Mais de 20.0 -87 -92
Vagas perdidas -10560 -8382

Fonte: CAGED, MTE (2018)

 

Essa tabela é bastante esclarecedora para a gente entender a questão (1) do desenvolvimento e (2) da situação atual ou para onde vamos. Deixo claro que o que vivemos hoje é resultado das decisões passadas.

Quando a gente analisa na tabela que o saldo positivo de empresas nos dois anos mostrados está em empregos com até 1 salário mínimo, já sinaliza que nossa estratégia de desenvolvimento não priorizou empregos mais qualificados e de maior salário. E olha que a grande perda de emprego em Alagoas, sinalizadas nas faixas de 1 a 3 salários mínimos é exatamente do setor sucroalcooleiro, que fechou várias usinas.

Mas mesmo diante desse quadro, tampouco, ao que se percebe, existe alguma estratégia de desenvolvimento que fortaleça setores de maior valor agregado, é só olhar para a as faixas salariais mais altas perdendo postos nos dois últimos anos, pois andam falando que esses últimos foram muito bons para Alagoas a despeito da condição nacional. Falam-se em muitas estradas, mas não se vê nenhum caminho.

Assim, pagamos hoje um preço alto pela predominância da estratégia da monocultura que beneficiou muitos no passado, mas que alguns desses hoje amargam problemas. Mas por outro lado, podemos continuar sofrendo no futuro por que os ajustes de curto prazo ainda são realizados de forma autônoma e sem se orientar para o futuro, que já está em nossa porta mas nós não sabemos como recebe-lo.

Deixo em aberto outras questões para o leitor pensar e fazer seus comentários nesse post. Vai que eu estou errado e Alagoas realmente está indo pelo caminho certo.

Boa sorte e bom trabalho!

Alagoas e + 200 anos.

Emancipação, segundo o dicionário on-line de Português (https://www.dicio.com.br), é um substantivo feminino, ação de ser ou de se tornar independente, livre; independência; ação ou efeito de emancipar, de se tornar livre. A questão que fica nesses 200 anos de Emancipação política de Alagoas é: livre de quem? E como essa “liberdade” formou, ou ainda forma, o comportamento e a identidade do alagoano?

O texto a seguir é uma limitada tentativa desse escriba em conectar opiniões e percepções, que sejam minhas e de colegas que estudam mais profundamente os comportamentos das sociedades e, nesse caso particular, da sociedade alagoana. Os três colegas são professores e pesquisadores respeitados em Alagoas e no Brasil, tanto pela honestidade intelectual como capacidade produtiva, a cientista política professora Luciana Santana e os sociólogos prof. Sergio Coutinho e prof. Elder Patrick Maia.

Nesse texto a interpretação desse escriba assume possíveis erros e omissões presente das falas dos colegas. Um dos textos no qual me baseio, o do professor Sergio Coutinho, foi publicado na íntegra nesse blog e para a leitura acesse https://chicorosario.com.br/2017/05/03/em-alagoas-os-alagoanos/.

ntão, para meus três colegas Alagoas ainda é uma incógnita, os alagoanos possuem comportamentos bem heterogêneos, mesmo em Maceió, onde os princípios da civilidade urbana e republicanismo deveriam ser mais fortes, não há, em muitas situações um comportamento estável, que venha balizar outras ações na cidade. Não temos um único cântico de louvor (hosana) em nossa Alagoas.

Alagoas é coletivo, plural, talvez seja por isso que não é possível perceber traços característicos de um comportamento que poderia identificar a “alagoanidade”. Em parte, essa fragmentação de comportamentos pode ser explicada pela “atroz” desigualdade socioeconômica que gera supercidadãos e subcidadãos.

As belezas naturais das Terras Caetés geraram no inconsciente coletivo a imagem de um lugar paradisíaco onde várias oportunidades econômicas podem existir, mas devido a histórica falta de diversidade e variedade econômica, somado a uma longa trajetória de geração e manutenção de privilégios locais, não se criou uma classe média autônoma e liberal, que poderia ser a base de uma sociedade civil forte, aguerrida e efetivamente autônoma.

Um exemplo da produção monotônica de nossa terra é que um viés de diversificação, como o Turismo não é tratado de forma séria e profissional. Pois, tanto a capital como grande parte das cidades do litoral há o orgulho do turismo e pensam nesse fato como uma das principais atividades econômicas do estado, mas não conseguiram até agora explorá-lo adequadamente. Imaginem que o Turismo é uma política de Estado, tratado e propagandeado por vários governos em Alagoas.

Mas, apesar de acolhedor, o alagoano não tem investido satisfatoriamente na profissionalização da mão de obra na área e, tampouco, tem investido em novas estratégias de divulgação. Como exemplo, o conceito de turismo inteligente, que amplia a percepção e experiência do turista, mesmo ele não estando mais em nossas terras. Esse conceito não é percebido como oportunidade nem por prefeituras, nem pelos operadores do Turismo, pois não há infraestrutura de internet publica, condição chave para o turismo inteligente acontecer.

Big data, Internet das coisas, computação nas nuvens, ferramentas do turismo inteligente, são “linguagem de grego” para muitos governos e empresários do turismo. Contudo, é possível identificar empresas locais vencedoras e com soluções prontas para essa questão, mas santo de casa não faz milagres e a terra futurosa fica nisso mesmo. O alagoano não percebe a própria evolução.

Mas, a exploração econômica no estado é muito restrita e não pode depender basicamente do turismo e, agora, nem tanto também da cana de açúcar. Diferentemente de outros estados, inclusive no Nordeste, nem a agricultura conseguiu se desenvolver bem. Falta estrutura e incentivos ao empreendedorismo agrícola e também nas periferias da capital.  O pequeno grupo que se destaca no mercado de startups/empreendedorismo digital não tem conseguido dialogar com o alagoano, nem na capital (periferias, principalmente) e muito menos com o interior do estado.

Existe uma elite de origem rural-oligárquica, não muito disposta a enfrentar a concorrência ou a diversificar investimentos e produção, o que limita os avanços de uma produção tecnologicamente mais evoluída, com a geração de serviços tecnológicos e de maior renda e valor agregado, mesmo na agricultura. Haja vista a dificuldade da entrada de outras culturas em terras que outrora foram da cana-de-açúcar. A outrora ovante indústria não vai muito longe.

O esforço e apelo é descomunal para o resultado da necessária diversificação produtiva de Alagoas, pelo menos pelo setor agrícola. Incentivos em crédito, cessão de terras, doação de sementes, mobilização de grupos para assistência técnica gratuita, editais de financiamento, etc, tudo para que os empresários se sintam motivados a investir em uma produção que não seja a cana de açúcar. Mas o progresso e o trabalho não ocorrem, por aqui, na paz. Lembrem do 17 de Julho de 1997 e suas decorrências.

A maioria da mão de obra qualificada formada, nas diferentes áreas, no estado não se mantém em terras Caetés.  Isso é um problema porque, apesar de formar esse pessoal, o estado não tem conseguido criar estrutura para manutenção e retenção de expertises que poderiam contribuir com a mudança do atual cenário sócio-econômico no estado. Por exemplo, nas ciências sociais, enquanto no sudeste, sul e centro-oeste há uma procura exacerbada por profissionais na área para atuarem na estrutura de governo, em consultorias privadas, em institutos de pesquisas, em empresas do varejo ou na indústria, em Alagoas o mercado tem se restringido à sala de aula. Poucos são os que conseguem se inserir nos espaços citados. O bacharel em ciências sociais e em economia, por exemplo, são sub-aproveitados no estado. Salvo raras exceções em alguma secretaria de governo ou empresas mais visionarias.

Politicamente, o alagoano se envolve muito nas disputas políticas, principalmente no interior do estado, com ou sem “incentivos” (relação clientelista) para isso. A meu ver, tem mais relação com o tamanho (pequeno) do estado, perfil da população e número (grande) de municípios de pequeno porte. Essas características favorecem a proximidade do eleitor com a classe política, mesmo que essa proximidade aconteça com mais frequência nos ciclos eleitorais.

Por outro lado, a classe política local, com suas devidas exceções, tem deixado de inserir nas suas pautas e prioridades temas que contribuam estruturalmente com o desenvolvimento econômico do estado, são distantes da população na periferia, na capital, no interior do estado e da comunidade acadêmica (o governo atual tem aberto um diálogo por meio do PDPP, mas ainda é um projeto em desenvolvimento e com poucos resultados). Quanto a esse ponto, destaco algumas observações:

  1.      As principais lideranças políticas buscam se destacar partidariamente, assumindo cargos de destaque e influencia nas principais decisões na esfera nacional; e se “voltam para estado” em eventos políticos muito pontuais que possam garantir o prestígio eleitoral.
  2.      A renovação política no estado é baixa, seja em termos partidários, famílias ou apenas de lideranças políticas.
  3.   Os partidos políticos dialogam de forma precária com o eleitor nas periferias do estado, seja na capital ou no interior.  O discurso dos partidos políticos no estado, da esquerda à direita, é elitista.
  4.      A classe média e alta, a despeito da inclusão e interiorização que ocorreu nos últimos anos, ainda não valoriza e nem dialoga com a universidade pública.
  5.   A universidade também tem investido, de forma limitada, em práticas digitais e empreendedoras que possam aproximá-la da maioria da população do estado. (Poderia dizer também que, a maioria das pesquisas/resultados realizadas pelas universidades e faculdades se mantêm, majoritariamente, endógenas. Poucas extrapolam os seus muros).

alvez o mais dramático para a intelectualidade alagoana seja o processo evolutivo nas últimas duas décadas da modernização de Alagoas. Um processo tortuoso e incapaz de melhorar a conexão de Alagoas com as capacidades modernizantes de outros centros urbanos e regiões espalhadas pelo país e pelo mundo, mesmo em um mundo conectado.

Talvez, por essa desconexão proposital e imposta, não foi construída uma identidade local assentada no simbólico popular, como ocorre em Pernambuco, Bahia, Ceará, etc. O pior, é que essa identidade não está em disputa, nesses 200 anos não há grupos intelectuais discutindo, ao menos publicamente, qual a identidade alagoana? Simplesmente aceita-se que Alagoas não tem identidade própria e como foi dito no início do texto, Alagoas é heterogênea demais para isso. Meus colegas argumentam que esse fato é resultado da falta de uma classe média local que reivindicasse suas origens e que fosse capaz de conduzir esse processo de construção. Nossas origens são dúbias e mal interpretadas. Vê-se pelo nome, Alagoas, que explora a existência de lagoas ou a pluralidade da cultura local?

E assim, tomando emprestado um conceito de meu colega Sergio Coutinho que reforça essa ideia da força da pluralidade local, é possível afirmar que “o desenvolvimento de Alagoas passa, necessariamente, por não padronizar seu povo como uma unidade, mas perceber sua pluralidade de identidades internas e atendê-las separadamente”. E assim deve ser a nossa identidade, multifacetada e capaz de absorver o que é bom e virtuoso para nós e sobreviver as lutas impostas à nós.

 

Feliz + 200 anos Alagoas!!!

Conectividade no Sururu Valley.

Em junho de 2013, alguns disseram que o Gigante de Pindorama tinha acordado. Mas deixando interpretações de lado, o que se percebeu de verdade foi a força de uma sociedade conectada que movimentou o Brasil durante quase dois meses com mobilizações espontâneas articuladas via redes sociais digitais. Um resultado da conectividade.

A conexão entre pessoas por meio de dispositivos digitais está causando mobilizações e revoluções, da Primavera Árabe, no Egito, ao Black Lives Matters, nos EUA. Todos movimentos civilizados e inclusivos.

A conectividade hoje é inclusiva, pois, nenhum desses movimentos citados foi personalista, mas mobilizou multidões sem rostos, mas com um ideal. A conectividade forma novas redes sociais, pois, sendo o ser humano gregário, as opiniões de grupos e simpatizantes são relevantes para nossas decisões e as multidões se movimentam por um ideal mobilizador dentro de uma rede social, ou de redes sociais. Família, consumidores, usuários, moradores, todos grupos e formadores de suas redes sociais, influenciadores e influenciados.

E também, a conectividade permite uma nova competitividade local, onde a horizontalidade dos nichos de mercado, da cauda longa é relevante e cria vantagem para a pequena empresa, tanto quanto a verticalidade das economias de tamanho (escala), das vantagens comparativas e do poder de mercado das grandes empresas. Uma nova forma de competitividade.

É nesse contexto que Alagoas aparece, por meio de uma empresa de infraestrutura de redes que com uma estratégia bem montada e a convergência momentânea de esforços no Sistema Estadual de Inovação, conseguiu se consolidar e alavancar seu valor de mercado para mais de R$ 300 milhões. Essa valorização dos ativos da empresa é resultado do esforço da empresa que, após uma longa batalha local, consolidou uma das mais modernas, ou pôde-se dizer, a mais moderna Rede de Infovia de dado entre os estados brasileiros, enfrentando as gigantes de telecom. Essa rede de dados conecta escolas, delegacias, hospitais, postos de saúde, entre outros órgãos de utilidade pública, garantindo conectividade e inclusão.

Uma rede estratégica de fundamental importância para o funcionamento interligado das instituições públicas. Essa rede conecta órgãos do Estado, escolas e municípios que não representam um mercado que possa ser considerado pelas grandes empresas.

Nesse mês de agosto a empresa recebeu um aporte de US$ 75 milhões (R$ 230 milhões) de um fundo de private equity (https://goo.gl/uZop94). Esse é o fato a se comemorar e a pensar em conectividade como uma força para todas as empresas inovadoras. A inovação da Aloo Telecom é atuar na cauda longa da conectividade, trabalhando em nichos no mercado de infraestrutura de redes em fibra óptica, onde grandes empresas não querem entrar, mas que a urgência da conexão digital para os negócios surge como oportunidade. Atualmente são 29 mil Km de fibras no Nordeste, ligando rincões, empresas e órgãos da administração pública que em outra situação não estariam no século XXI (https://goo.gl/WgC86v).

O sucesso da Aloo Telecom, uma pequena empresa alagoana, em captar o maior investimento internacional feito em uma empresa no estado mostra que as empresas locais de tecnologia possuem capacidade para trazer competitividade nesse setor. Além da Aloo, é possível listar uma série de empresas de base tecnológica, intensivas em ciência e inovação, que se apresentam como atores relevantes no Sistema Estadual de Inovação, caso este mantenha uma articulação mínima necessária e consolide uma governança eficiente. Empresas como Apícola Almar, Apícola Fernão Velho, Innovate Desenvolvimento da Informação e Comunicação LTDA, Braus LTDA, Clínica Micro Cirurgia Ocular, Hand Talk Serviços LTDA, HRM Informática LTDA, Indústria Parisotto LTDA, Interacta Química LTDA, Meu Tutor Tecnologias Educacionais LTDA, Plus Estúdio Web Ltda, SED – Soluções em Engenharia e Desenvolvimento S/S LTDA, Verdom Indústria e Comércio LTDA, são fortes candidatas à modificarem o panorama da competitividade em Alagoas. Tudo isso baseado na conectividade.

Pensamento estratégico e visão de futuro no âmbito da empresa, articulação e governança no âmbito do ambiente de negócios e vontade política para oportunizar o desenvolvimento local no âmbito dos governos Estadual e Municipal, são ingredientes que podem alavancar um possível avanço econômico em Alagoas quando as nuvens cinzas dessa crise forem embora.

Sendo assim, bom trabalho e boa sorte!

Empreendedorismo na década das ilusões perdidas.

Comecei minha vida na docência do ensino superior em 1999, na época estava finalizando o mestrado e as reformas do ensino superior, realizada em 1996, estavam começando a surtir efeito na expansão do ensino superior. Mais gente formada, mais possibilidade de emprego e maior renda, certo? Nem sempre, como veremos ao longo do texto.

De verdade, mais do que procurar emprego, nossos estudantes precisam ser ensinados a criar sua própria ocupação, sob pena de diante da crise que se instalou, se consolidar no Brasil uma geração de jovens desiludidos com seu papel na sociedade. Particularmente hoje, com o advento da Inteligência Artificial, Internet das Coisas e uma série de tecnologias que estão ocupando, cada vez mais, atividades rotineiras e automatizáveis. Pensamento, planejamento e atitude é a solução. Mas vejamos os dados e informações que me leva a escrever isso aqui.

Inicialmente essa expansão ocorreu via ensino privado e só a partir de 2006 teve início a expansão das universidades públicas. No início as vagas nas faculdades e universidades em expansão eram tomadas por uma gama de profissionais que já estavam no mercado de trabalho e necessitavam de qualificar sua função com um diploma do ensino superior ou conseguir uma segunda formação. A partir de 2006, com a expansão do ensino superior público, a implantação dos sistemas de cotas, aprofundamento da política do financiamento estudantil público e outras políticas de inclusão social via ensino, houve a abertura para a entrada dos jovens oriundos das classes sociais de menor renda.

O primeiro grupo de estudantes, os profissionais, já estavam no mercado de trabalho e de certa forma se esforçavam para aumentar a renda. Esse pessoal também lotou as turmas dos cursos de especialização lato-sensu e grande parte dele conseguiram seus objetivos ao longo dos anos recentes de crescimento econômico no Brasil.

O segundo grupo, que até hoje continua entrando nas universidades públicas e nas faculdades privadas, pode não ter seus objetivos no mercado de trabalho alcançados. Aos que foram os primeiros a entrar no ensino superior, entre 2006 e 2010, ainda alcançaram em sua saída da universidade um mercado de trabalho aquecido e contratante. A partir dessa data, os que ingressaram no ensino superior estão encontrando dificuldades para encontrar empregos.

Nunca é demais reforçar a importância da formação superior para a qualificação profissional em uma economia cada vez competitiva. Além de oferecer maiores garantias para conseguir ou se manter em um emprego. Mas recentemente, devido a atual crise que se instalou no Brasil deteriorando fortemente o mercado de trabalho, a formação superior principalmente entre os mais jovens já não garante mais emprego a ninguém. Isso é possível perceber com a taxa de ocupação das pessoas acima de 14 anos em Alagoas foi em média 43% entre o 2º trimestre de 2014 ao 2º trimestre de 2017. Ou seja, 57% das pessoas aptas a trabalhar em todas as idades estavam sem ocupação.

Segundo dados do INEP, entre 2009 e 2013, Alagoas formou cerca de 100 mil estudantes nas mais diversas categorias de ensino superior, e em 2014, 13% dos empregos formais no estado eram ocupados por pessoas com nível superior de formação, que totalizou 70 mil empregos. Ou seja, se houvesse em Alagoas os formados apenas no período citado acima, nem todos teriam conseguido emprego até 2014. Como a situação do país e do estado se deteriorou muito após essa época, com certeza a situação hoje não está melhor, confirmando a noção da década das ilusões perdidas. Isso reforça a proposta do texto em que os jovens precisam aprender a criar sua ocupação, sob pena de aumentar a frustação e o desalento.

O ensinamento do ato de pensar estrategicamente, planejar e executar o planejado deve estar vinculado aos programas de empreendedorismo das universidades, sendo trabalhado nas mais diversas vertentes do que vem a ser o comportamento empreendedor. Se isto não for incorporado, de forma universal em todas as espécies de formação superior, corre-se o risco de que os profissionais formados por nossas escolas sejam meros repetidores de rotinas operacionais em plena Era da Inteligência Artificial, da Indústria 4.0, da Internet das Coisas. Podendo assim criar um exército de excluídos com nível superior.

Por isso: bons estudos e boa sorte!