Missão, inovação e crescimento: habitação no Brasil e na China.

Em números recentes fornecidos pelo IBGE (https://goo.gl/WX49kz) o número de famílias morando de favor aumentou em 7% no ano de 2017. Esses dados se tornam aparentes e nos tornam sensíveis com o aumento de pessoas vivendo nas ruas existente no país e culmina com a Tragédia do 1º de Maio no Edf Wilton Paes de Almeida, no Largo Paissandu em São Paulo.

Segundo dados do IPEA, no Brasil há um déficit habitacional de 5,4 milhões de moradias. Só em Alagoas estima-se esse déficit em cerca de 270 mil. Mesmo com o programa Minha Casa Minha Vida. Essa é a tragédia habitacional brasileira, mais uma entre tantas tragédias com as quais convive o cidadão brasileiro.

A questão da moradia é uma importante questão social no Brasil e que poderia se transformar em uma Missão do Estado na busca para estruturar um sistema de bem-estar no Brasil, utilizando a definição de Eduardo da Motta e Albuquerque (https://goo.gl/SLtKFs).  Os sistemas de bem-estar conseguem mobilizar o complexo sócio econômico de um país, região ou estado de modo a desenvolver o sistema produtivo e tecnológico local. Temos o bem montado, mas não tanto eficiente, SUS como o melhor exemplo brasileiro da questão da Missão do Estado em resolver um problema que aflige a sociedade.

A construção civil é um importante setor para o desenvolvimento, haja vista que é uma cadeia produtiva longa, tecnologicamente complexa e cujo produto está regionalmente definido, ou seja, é um produto não-exportável e de impacto local. A construção de uma residência favorece fortemente a geração de riqueza local e por conta da cadeia longa, a riqueza se multiplica para vários setores da economia do país.

Mas o cenário da construção civil no Brasil é de existência de uma enorme demanda potencial para residências e infraestrutura e uma oferta reduzida e incerta, pois é altamente dependente da conjuntura econômica e do crédito.

Essa Missão que a sociedade assume deve ser conduzida pelo Estado e envolve o enfrentamento de problemas específicos que afligem a sociedade e a habitação é um problema social gritante e mortal para nossa sociedade. Mas por outro lado, apresenta um enorme potencial de alavancar o desenvolvimento econômico brasileiro, haja vista que esse setor representa cerca de 6,2% do PIB nacional. Na China esse setor representa 15%.

O programa Chinês de habitação (atualmente Comfortable Society e Basic Housing Right), disponibilizou, em 2016, 10 milhões de habitações para famílias de baixa renda. Esse esforço do Estado Chinês se soma ao programa de liberalização econômica e da criação de novos arranjos institucionais que garantiram a propriedade privada dos imóveis e a criação de um forte mercado imobiliário nas principais cidades chinesas. A meta é em 2020 cada cidadão chinês possuir sua própria casa.

Esse esforço na China mobiliza não só as empresas de construção civil, mas também os esforços em P&D no desenvolvimento de construções mais sustentáveis, novos materiais e técnicas de construção mais eficientes, incluindo impressão 3D, além do financiamento e gestão das empresas e dos subprogramas.

A construção civil na China emprega cerca de 2,3 milhões de pessoas e movimentou em investimentos cerca de US$ 910 bi, só em 2011, por exemplo (https://goo.gl/uZxyvZ). Os investimentos dos fundos de capital de risco, em 2017, investiram cerca de US$ 12,6 bi em startups ligadas a construção civil e ao mercado imobiliário, esse número foi o triplo do registrado em 2016.

Por fim, são os desafios que a sociedade escolhe enfrentar mostra o comprometimento que todos seus cidadãos possuem com o bem-estar de todos. No Brasil precisamos ter isso em mente para entender qual as Missões que o Estado brasileiro precisa enfrentar para o bem de nosso povo. A política pública tem que chegar à sociedade e não ficar apenas em Brasília.

Nos próximos posts mais sobre empreendedorismo e inovação na China, sempre com um olhar para o nosso Brasil.

O sonho de inovar!

Não é de hoje que a palavra inovação está na cabeça de muitos que estão ligados, direta ou indiretamente, ao setor produtivo brasileiro.

Mas, a inovação não é um fenômeno simples e de execução linear, ou seja, a empresa pensa, emprega esforços e, de repente, surge a inovação. Para que a inovação ocorra, e geralmente ela ocorre na empresa, é necessário que haja um conjunto de ações e atores no entorno da empresa.

Geralmente esse entorno está circunscrito geograficamente, numa cidade, ou numa região maior, mas não muito maior que algumas cidades vizinhas. A inovação é, também, um fenômeno geograficamente localizado e dependente de benefícios e facilidades existentes naquele local.

Esses benefícios são oriundos da integração desses 4 P´s no ambiente regional, quais sejam:

a)       O Público (Public) – a atuação do setor público na coordenação dos agentes, com a orientação dos setores da economia para qual tipo de esforço inovador pode ser feito e com a orquestração das organizações de apoio à inovação existentes.

b)      O Privado (Private) –  o esforço do setor privado no sentido de executar estratégias de inovação que melhorem seu posicionamento frente a concorrência, se articulando com os demais agentes e na perspectiva da inovação aberta, onde os inputs para a inovação são buscados em variadas fontes.

c)       As Pessoas (People) – o capital humano da localidade, dotado de competências e habilidades capazes de absorver novos conhecimento e aplica-los em diversos mercados, principalmente fora daquela região.

d)      O lugar (Place) – a região (cidade ou conjunto de cidades) que permite que haja proximidade física, de aprendizado e conhecimentos entre os diversos agentes do sistema de inovação. O lugar também tem que estar preparado para servir de apoio ao desenvolvimento da inovação, seja com infraestrutura, com ambientes de inovação ou com estímulos locacionais para os diversos agentes necessários para o desenvolvimento tecnológico.

Contudo, essas categorizações não funcionam de forma suave e linear, mas em movimentos de fluxo e refluxo de ações, instituições, empresas e condições do ambiente empresarial, principalmente em regiões com grandes desigualdades de renda e capacitação de mão-de-obra. Essas desigualdades dificultam o aprendizado e a absorção de tecnologias relevantes para o bom funcionamento empresarial. Geralmente é assim que o esforço inovador se dá no Brasil.

Mas, particularmente, o estado de Santa Catarina tem se mostrado perseverante em modificar essa realidade de desigualdade, soluções de continuidade política, além dos fluxos e refluxos intensos e que refreiam o desenvolvimento econômico.

Santa Catarina, atualmente, é o segundo estado do Brasil em competitividade perdendo apenas para São Paulo e superando o Paraná (https://goo.gl/MRKvJT). Em 2016 o estado era o 3º.  

Em Santa Catarina há um esforço coletivo para que haja a real integração dos 4 Ps e que isso resulte em algo consistente, como as 2.000 empresas comprovadamente inovadoras que existem no estado. A última demonstração do esforço de integração dos 4 Ps e compromisso com o desenvolvimento do estado foi a celebração do Pacto pela Inovação (https://goo.gl/yZ5nKW), na última segunda (30/10/2017).

Nesse evento ficou claro que não é só o Estado responsável pela articulação produtiva para a inovação, mas todas as organizações que estão interessadas no desenvolvimento econômico da região. Na ocasião foram lançados 13 Centros de Inovação, espalhados pelo estado como forma de nuclear o esforço inovador em diversas regiões do estado e retirar da capital a preponderância nessa questão. Foram 24 organizações do setor público e privado que se pactuaram formalmente com assinaturas de compromissos públicos, visando a estruturação e execução de políticas de inovação que respondam aos desafios tecnológicos enfrentados pelos diversos setores da economia daquele estado.

Mas, e Alagoas, como nós estamos?

Vou deixar abaixo uma figura para que o leitor tire suas conclusões.

 COMPETITIVIDADE AL E SC

 Bom trabalho e boa sorte!

O que o empreendedor deve considerar, na economia, para empreender?

Diante da situação de crise e incertezas que assolam o Brasil, qual o cenário no Nordeste de hoje para quem quer investir em uma pequena empresa?

Esse pequeno texto não irá apresentar detalhes e pormenores do processo de decisão de investimentos, mas tentará lançar alguma luz para que os empreendedores tomem decisões mais assertivas.

A primeira questão a se fazer é como andam a oferta e a demanda no Nordeste? Ou seja, como estão o investimento e atividade econômica e, também, o consumo das famílias. É importante entender a oferta pois ela criará os empregos e os lucros nas empresas que serão uma das bases da renda da região. E entender a demanda é entender como está o consumo e a perspectiva de lucros para quem já está empreendendo e quem quer entrar no mercado nordestino.  

A oferta na região, analisando a partir do índice da atividade econômica (indicador do Banco Central), está estável em 2017, o que significa que a economia da região parou de piorar. Esse resultado estável ainda carrega o impacto da queda nos setores serviços, comércio e indústria nas três principais economias da região – Pernambuco, Ceará e Bahia (https://goo.gl/DvRGCT). Por outro lado, o varejo Alagoas apresentou crescimento, apesar de tímido nesse primeiro semestre de 2017. Mas a indústria vem em queda desde 2016.

De toda forma, na oferta houve estabilização e uma suave alteração das tendências de queda na economia do Nordeste. Mas a situação atual da política e economia nacionais não permite previsões para o horizonte de mais longo prazo.

Do lado da demanda, a principal variável a se observar é a renda e essa é a parte mais sensível do Nordeste. Com o desemprego na casa dos 15%, no Nordeste, e Alagoas com 17,5%, percebe-se uma forte compressão da renda, o que vem modificando os padrões de consumo, tanto em volume quanto em qualidade.  Além do que, o Nordeste é a região que concentra 52% da população de menor renda do Brasil.

Outro indicador importante é a Intenção do Consumo das Famílias (ICF), do Instituto FECOMÉRCIO em Alagoas. Em Junho esse indicador, para Alagoas, ficou em 80,4 (onde 100 indica a indiferença do consumidor). Esse indicador vem de sucessivas quedas desde o início desse ano, refletindo o aumento da inadimplência e do desemprego (https://goo.gl/Djz1JC).

Esses são alguns indicadores básicos e gerais que se deve observar antes de fazer um investimento em um negócio. Obviamente que esses indicadores, por serem gerais, podem não detectar particularidades de alguns ramos de atividades específicos, por isso a importância do processo de levantamento de informações estratégicas a respeito daquele segmento econômico, em particular.  

Após a análise geral de oferta e demanda, é importante entender a quantas andam as condições fiscais dos estados e municípios, haja vista que parte expressiva da produção de riqueza do Brasil ocorre via consumo do governo. Logo, uma situação fiscal ruim, indica problemas no crescimento econômico, tanto quanto a construção da oferta e da demanda. Alagoas apresenta a maior relação dívida/receita corrente do Nordeste, o estado está fazendo um ajuste fiscal, mas até agora os resultados positivos, em grande medida, são oriundos de receitas fiscais extraordinárias (https://goo.gl/NCPtvG).

Para fechar as variáveis de análise, temos que verificar o preço do capital que será utilizado para empreender. O preço do capital é o Juro e sabemos todos que os juros no Brasil são um dos mais altos do mundo, impactando negativamente no volume de investimentos na economia como um todo. Nesse caso, é importante tentar verificar qual é a lucratividade esperada para o negócio e comparar o percentual de lucro líquido com uma taxa referencial da economia, que geralmente é a taxa de remuneração da poupança.  Deixo aqui uma lista de investimentos no mercado financeiro em 2017 (https://goo.gl/P75jcD).

Essas são algumas das informações do ambiente econômico geral que são relevantes para os empreendedores tomarem suas decisões de investimento de modo mais consciente. Mas essas informações não são as únicas necessárias, é importante também analisar o ambiente de concorrência empresarial e as capacidades inerentes às empresas e aos empreendedores, mas isso serão assuntos para outros posts.

Assim, deixo aqui algumas dicas e análise sobre a situação do Nordeste e de Alagoas como exemplo de informações importantes para os investimentos. Fica para o empreendedor a decisão e o grau de aceitação do risco, fato que é inerente em todos os negócios.

Bom trabalho e boa sorte!

Sobre ser pequeno empresário!

Imagino que a principal dor do pequeno empresário, em Alagoas, imagino que seja conseguir tirar seu sustento e de sua família, de forma digna, de seu próprio negócio. Numa onda de empreendedorismo e de empreendedores de toda sorte, em grande parte alavancada pelo romantismo ensinado nas faculdades de negócios, nos livros e conteúdos digitais de autoajuda e, principalmente, por conta que o governo tinha que resolver de alguma forma o rombo da previdência e tentou formalizar todo e qualquer camelô que estivesse trabalhando pelas ruas, via a política que envolve o Microempreendedor Individual.

Enfim, a verdade é que agora já tem REFIS para todo o tipo de empresa, incluindo o MEI, claro. Mostrando que o problema não é formalizar uma empresa, mas sustenta-la. Mas vamos voltar ao sustento da família do empresário e escrever algumas linhas quanto a isso.

De verdade, a impressão que se tem é que o pequeno empresário vê o dia-a-dia de seu negócio para sustento e ocupação, sendo que o sucesso desse negócio é visto como aposentadoria. Isso é fruto de dois problemas estruturais nefastos em nossa economia:

1)      A pouca qualificação da mão de obra, principalmente por falta de educação formal, em Alagoas 22% da população acima dos 15 anos é analfabeta, em Sergipe, nosso vizinho, essa taxa é 17,1% (https://goo.gl/G4DiQg).

2)      A limitação na qualificação reduz as oportunidades de emprego, são apenas 3% da população no ensino superior (https://goo.gl/Dr8u7V) e o IDH-M em Alagoas, para o indicador renda é um dos mais baixos do país (https://goo.gl/bfrXE6), sinalizando que os empregos são de salários baixos, e portanto, exige-se baixa qualificação do trabalhador.

Esses problemas, ao meu ver, implicam na pouca perspectiva local de ascenção profissional e assim surgem as milhares de lojas de comércio e serviços que totalizam 132 mil empreendimentos em Alagoas, representando 83% do total das empresas alagoanas (https://goo.gl/5mxL8m). Essas micro e pequenas empresas, em sua maioria, são a tábua de salvação de seus proprietários, não percebendo que para mantê-las exige a demanda de trabalho por parte do empresário, igual a um funcionário qualquer, com horário para abrir e fechar a empresa, controlar os custos e pagar as contas. Só que muitos se imaginam, pensam e incorporam valores de grandes empresários, sem de fato sê-lo, conforme já apontei em outro post aqui, ao meu ver, um erro crasso para o futuro dessas empresas e empreendedores (https://chicorosario.com.br/2017/04/28/somos-todos-trabalhadores/).

Como o dia-a-dia é sustento e a sobrevivência se impõe ao ser humano, o dia-a-dia do dono de pequena empresa é corrido, sofrido e com muitas contas a pagar. Além do mais, a corrida pela sobrevivência diária impede que esse pequeno empreendedor desenhe uma estratégia para sua empresa e para sua vida no longo prazo, ou seja, não há estratégia financeira nem para a empresa, nem para o empreendedor. E aí é que a dor aperta. Pois, o tempo passa, o corpo cansa, os filhos crescem e futuro chega. Mas qual futuro foi construído?

A incorporação de valores da grande empresa capitalista em sua visão de mundo combinada a vida corrida do dia-a-dia, impede que o empreendedor veja que ele é pequeno e é, também, um trabalhador, batalhador, como 99% da população brasileira. Nessa dinâmica, o futuro, quando muito, é pensado em forma de imobilização de capital em algum imóvel, guardar algum dinheiro na poupança (rendendo as vezes menos que a inflação) e esquece de buscar novas fontes de receitas e lucros, se apegando ao censo comum de que devemos gastar o mínimo e poupar o máximo. Não percebe que criar fluxo, por vezes, é mais importante que ter estoques.

Geração e ampliação dos fluxos de receitas ao longo do tempo, com o uso de novas competências incorporadas, por meio de novos conhecimentos e aprendizados, é possível. O empreendedor deve investir em formação, até para entender e aproveitar a dinâmica do mercado, essa é a dica. São inúmeras oportunidades que surgem e cabe ao empreendedor entende-las e explora-las. Mas isso só é possível se o futuro for visto, não como uma ameaça, mas como uma oportunidade que, você empreendedor, construa os instrumentos para explorar.

Pouca informação, aversão demasiada ao risco, não inovar e muito amor ao tijolo não te dará sucesso. É assim que penso.

Bom trabalho e boa sorte!