Na virada dos 1970 para 1980, Maceió possui cerca de 400 mil habitantes e todo o estado de Alagoas possuía 1.982 milhão de pessoas, das quais 51% estavam nas regiões rurais do estado.  Se estabelecia na capital uma classe média formada por funcionários públicos, fornecedores de cana e profissionais liberais, resultado das políticas de incentivo ao crescimento econômico conduzida pelos militares. Essas políticas, em Alagoas, impactaram diretamente no fortalecimento do setor sucroalcooleiro e na expansão da máquina pública patrocinada pela dobradinha Suruagy – Guilherme Palmeira entre 1975 – 1986. Essa época marcou até hoje o desenvolvimento do estado. E é sobre esse desenvolvimento que tentarei discorrer mostrando alguns dados recentes do emprego no estado.

Os dados de emprego no Brasil para 2017 não refletem a animação com a economia que o governo trata de propalar, mas convenhamos, os ministros têm que defender o deles e nós temos que desconfiar quando a esmola é grande. A desconfiança começa pela futurologia do crescimento da economia em 2018 de cerca de 3%, que é aposta do governo e alguns economistas ligados a ele. Ora, nada garante isso, pois o ano está só começando e ainda temos copa e eleições, fenômenos que param o Brasil.

Além disso, houve uma destruição real de 7 milhões de vagas nos últimos anos de crise e que não são refeitas em um ou dois anos. Talvez não sejam nem mais refeitas, dado a mudança estrutural que o emprego está tendo no mundo todo, ou seja, está mudando o que chamamos de emprego. Que o diga a reforma trabalhista com o trabalho intermitente.

Entender o comportamento dos empregos e salários, ajuda a entender a economia real e os caminhos futuros dessa economia. A questão é que dados do mercado de trabalho traduzem melhor o que está acontecendo com a economia real, ou seja, com a economia nas empresas e nas famílias. Se as empresas sentem que a economia está mal, elas demitem e isso impacta diretamente no poder de consumo das famílias, que passam a consumir menos e afetam a percepção sobre a economia por parte das empresas. É um ciclo vicioso e complicado, por isso que alguém precisa dizer que está tudo bem e vai melhorar e isso é feito, geralmente, pelos governos.

Pois bem, quando a gente se debruça sobre os dados recentes de Alagoas e olha lá para trás, como eu sugeri no segundo paragrafo desse texto, a gente entende a situação atual na qual estamos. Vejamos alguns dados recentes, agora:

Empregos líquidos por faixa salarial

Faixa salarial 2016 2017
Até 0.50 124 386
0.51 a 1.0 793 1086
1.01 a 1.5 -2487 -5317
1.51 a 2.0 -5176 -2136
2.01 a 3.0 -1981 -973
3.01 a 4.0 -586 -405
4.01 a 5.0 -320 -248
5.01 a 7.0 -315 -300
7.01 a 10.0 -273 -191
10.01 a 15.0 -191 -134
15.01 a 20.0 -61 -58
Mais de 20.0 -87 -92
Vagas perdidas -10560 -8382

Fonte: CAGED, MTE (2018)

 

Essa tabela é bastante esclarecedora para a gente entender a questão (1) do desenvolvimento e (2) da situação atual ou para onde vamos. Deixo claro que o que vivemos hoje é resultado das decisões passadas.

Quando a gente analisa na tabela que o saldo positivo de empresas nos dois anos mostrados está em empregos com até 1 salário mínimo, já sinaliza que nossa estratégia de desenvolvimento não priorizou empregos mais qualificados e de maior salário. E olha que a grande perda de emprego em Alagoas, sinalizadas nas faixas de 1 a 3 salários mínimos é exatamente do setor sucroalcooleiro, que fechou várias usinas.

Mas mesmo diante desse quadro, tampouco, ao que se percebe, existe alguma estratégia de desenvolvimento que fortaleça setores de maior valor agregado, é só olhar para a as faixas salariais mais altas perdendo postos nos dois últimos anos, pois andam falando que esses últimos foram muito bons para Alagoas a despeito da condição nacional. Falam-se em muitas estradas, mas não se vê nenhum caminho.

Assim, pagamos hoje um preço alto pela predominância da estratégia da monocultura que beneficiou muitos no passado, mas que alguns desses hoje amargam problemas. Mas por outro lado, podemos continuar sofrendo no futuro por que os ajustes de curto prazo ainda são realizados de forma autônoma e sem se orientar para o futuro, que já está em nossa porta mas nós não sabemos como recebe-lo.

Deixo em aberto outras questões para o leitor pensar e fazer seus comentários nesse post. Vai que eu estou errado e Alagoas realmente está indo pelo caminho certo.

Boa sorte e bom trabalho!

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