Imagino que a principal dor do pequeno empresário, em Alagoas, imagino que seja conseguir tirar seu sustento e de sua família, de forma digna, de seu próprio negócio. Numa onda de empreendedorismo e de empreendedores de toda sorte, em grande parte alavancada pelo romantismo ensinado nas faculdades de negócios, nos livros e conteúdos digitais de autoajuda e, principalmente, por conta que o governo tinha que resolver de alguma forma o rombo da previdência e tentou formalizar todo e qualquer camelô que estivesse trabalhando pelas ruas, via a política que envolve o Microempreendedor Individual.

Enfim, a verdade é que agora já tem REFIS para todo o tipo de empresa, incluindo o MEI, claro. Mostrando que o problema não é formalizar uma empresa, mas sustenta-la. Mas vamos voltar ao sustento da família do empresário e escrever algumas linhas quanto a isso.

De verdade, a impressão que se tem é que o pequeno empresário vê o dia-a-dia de seu negócio para sustento e ocupação, sendo que o sucesso desse negócio é visto como aposentadoria. Isso é fruto de dois problemas estruturais nefastos em nossa economia:

1)      A pouca qualificação da mão de obra, principalmente por falta de educação formal, em Alagoas 22% da população acima dos 15 anos é analfabeta, em Sergipe, nosso vizinho, essa taxa é 17,1% (https://goo.gl/G4DiQg).

2)      A limitação na qualificação reduz as oportunidades de emprego, são apenas 3% da população no ensino superior (https://goo.gl/Dr8u7V) e o IDH-M em Alagoas, para o indicador renda é um dos mais baixos do país (https://goo.gl/bfrXE6), sinalizando que os empregos são de salários baixos, e portanto, exige-se baixa qualificação do trabalhador.

Esses problemas, ao meu ver, implicam na pouca perspectiva local de ascenção profissional e assim surgem as milhares de lojas de comércio e serviços que totalizam 132 mil empreendimentos em Alagoas, representando 83% do total das empresas alagoanas (https://goo.gl/5mxL8m). Essas micro e pequenas empresas, em sua maioria, são a tábua de salvação de seus proprietários, não percebendo que para mantê-las exige a demanda de trabalho por parte do empresário, igual a um funcionário qualquer, com horário para abrir e fechar a empresa, controlar os custos e pagar as contas. Só que muitos se imaginam, pensam e incorporam valores de grandes empresários, sem de fato sê-lo, conforme já apontei em outro post aqui, ao meu ver, um erro crasso para o futuro dessas empresas e empreendedores (https://chicorosario.com.br/2017/04/28/somos-todos-trabalhadores/).

Como o dia-a-dia é sustento e a sobrevivência se impõe ao ser humano, o dia-a-dia do dono de pequena empresa é corrido, sofrido e com muitas contas a pagar. Além do mais, a corrida pela sobrevivência diária impede que esse pequeno empreendedor desenhe uma estratégia para sua empresa e para sua vida no longo prazo, ou seja, não há estratégia financeira nem para a empresa, nem para o empreendedor. E aí é que a dor aperta. Pois, o tempo passa, o corpo cansa, os filhos crescem e futuro chega. Mas qual futuro foi construído?

A incorporação de valores da grande empresa capitalista em sua visão de mundo combinada a vida corrida do dia-a-dia, impede que o empreendedor veja que ele é pequeno e é, também, um trabalhador, batalhador, como 99% da população brasileira. Nessa dinâmica, o futuro, quando muito, é pensado em forma de imobilização de capital em algum imóvel, guardar algum dinheiro na poupança (rendendo as vezes menos que a inflação) e esquece de buscar novas fontes de receitas e lucros, se apegando ao censo comum de que devemos gastar o mínimo e poupar o máximo. Não percebe que criar fluxo, por vezes, é mais importante que ter estoques.

Geração e ampliação dos fluxos de receitas ao longo do tempo, com o uso de novas competências incorporadas, por meio de novos conhecimentos e aprendizados, é possível. O empreendedor deve investir em formação, até para entender e aproveitar a dinâmica do mercado, essa é a dica. São inúmeras oportunidades que surgem e cabe ao empreendedor entende-las e explora-las. Mas isso só é possível se o futuro for visto, não como uma ameaça, mas como uma oportunidade que, você empreendedor, construa os instrumentos para explorar.

Pouca informação, aversão demasiada ao risco, não inovar e muito amor ao tijolo não te dará sucesso. É assim que penso.

Bom trabalho e boa sorte!

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