Em meu último post aqui (https://goo.gl/2uUZLP), trato da questão do empreendedorismo e das escolhas dos empreendedores. Neste post, irei tratar rapidamente dessa questão das escolhas em relação as incertezas da inovação ou da relativa segurança de uma Micro e Pequena Empresa (MPE) tradicional. Mas antes, permitam-me contar uma história.

Alagoas produz um dos mais completos medicamentos naturais já conhecidos, a própolis vermelha. O espectro de atuação de seus componentes é bastante amplo e combate, entre outras coisas, uma extensa gama de infecções. A própolis pode ser utilizada em medicamentos propriamente ditos, ou em cosméticos e alimentos funcionais (https://goo.gl/qvjS49).

A principal empresa que explora esse produto em Alagoas é fruto da persistência de um empreendedor local que buscou a universidade para desenvolver seus produtos e registrar o conhecimento gerado pelas pesquisas. Ao final, essa empresa e a universidade já possuem uma série de patentes, e atualmente está se preparando para exportar nonocápsulas de própolis para serem “misturadas” em alimentos e cosméticos produzidos por multinacionais europeias e japonesas (https://goo.gl/3rbgs6).

Esse empreendedor atualmente luta para manter os manguezais das lagoas próximas a Maceió e assim garantir a existência da planta Rabo de Bugio, que é a partir da seiva dessa planta que as abelhas transformam os elementos químicos medicamentosos em componentes da própolis produzidas por elas. Ou seja, o empreendedor, como se não bastasse todos os desafios de manter sua empresa funcionando, terá que lutar pela preservação do meio ambiente para tentar garantir a sustentabilidade do seu negócio.

O que quero mostrar é que o empreendedor inovador, aquele aposta em ciência e tecnologia como diferencial competitivo, tem que se aventurar para outros mares além da visão do seu negócio. Ao passo que o empreendedor de MPE tradicional geralmente corre menos risco, possui um fluxo de renda menor, mas constante e no curto prazo. Isso ocorre porque o modelo de negócio inovador ainda não está consolidado como o modelo de negócio de uma MPE tradicional. Mas, para o negócio inovador, o sucesso pode ser atingido e ser mais duradouro que em negócios tradicionais.

Isso exige amor ao risco e desprendimento em relação a vários comportamentos que prendem muitos empreendedores a negócios tradicionais. Entender os efeitos comportamentais sobre nossas decisões profissionais e de investimentos é um importante passo para evitar que caiamos nas armadilhas que nossos cérebros nos pregam. Apresento aqui alguns deles:

  1. Efeito patrimônio – São os empreendedores que têm seus negócios, estritamente, como fonte de crescimento do patrimônio pessoal e renda da família. E isso gera mais apego que o necessário e bloqueia a visão do negócio como sendo uma aposta e que tem hora para arriscar ou para sair desse negócio.
  2. Efeito otimismo – se por um lado, para ser inovador é preciso amar o risco, por outro lado, o risco tem que ser calculável. O efeito otimismo impede que o empreendedor entenda o nível real do risco e sempre irá perceber o futuro com “óculos cor de rosa” e algumas vezes apostam em negócios sem muito futuro.
  3. Viés de ancoragem – nós tendemos a acreditar que nossas preferências são representativas da população em geral. Esse comportamento nos leva a tomar decisões sempre a partir de nosso último sucesso, imaginando que ele seja a média dos acontecimentos. Ocorre que, dado a incerteza, o último sucesso pode não ocorrer, e geralmente não ocorre, causando grandes prejuízos.

Esses efeitos ou vieses mostram que não existe o homo economicus, racional, egoísta e movido pela força de vontade. Na verdade, o ser humano funciona meio que na preguiça, nem sempre é racional em suas decisões, nem estritamente egoísta. E assim também são os empreendedores, alguns se libertam de um ou outro viés e empreende de forma mais inovadora, outros buscam reproduzir o que está dando certo no mercado (olha aí o efeito manada) e se apegam a crenças e valores que não fazem muito sentido, mas mantém o estado de coisas (efeito status quo).

Enfim, empreender e inovar nem sempre são sinônimos, pois inovar requer desprendimentos e uso de mais ferramentas analíticas que apenas o “tino empresarial”.

Bom trabalho e boa sorte!

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