As economias de escala foram o elemento chave para que houvesse progresso nas diferentes revoluções tecnológicas do capitalismo. O celular levou 10 anos para atingir 40% dos lares americanos e 5 para dobrar o acesso e entre 2006 e 2014, nos EUA, a tarifa média declinou em mais de 50%, fruto da concorrência e das economias de escala.

Essa redução da tarifa só potencializou o uso desse aparelho, tornando o fenômeno mundial que é hoje. No mundo digital, se a escala não for tudo, ela é quase tudo.

De verdade, com a ascensão das tecnologias digitais e a padronização cada vez maior das interfaces gráficas na web (,) está surgindo uma profusão de empresas digitais baseadas em plataformas que tornam a operação cada vez mais fácil (e barata) na medida que entram mais e mais usuários. É a escala do lado da demanda ou as economias de rede.

Existem casos como o WordPress, o Wix, além dos já conhecidos marketplaces como o Mercado Livre, a Amazon, o Trivago e, claro, as redes sociais como Facebook, Instagran, Linkedin, entre outros. Todos são exemplos claros de plataformas e suas economias de escala do lado da demanda, permitem atingir o mercado mundial. Quanto mais usuários, menor o custo de entrada e de captura de mais usuários, quase que indefinidamente.

Economias de escala reduzem os custos médios de produção e as economias de rede reduzem os custos marginais de venda ou produção, no mundo on-line, a quase zero.

Por conta desses fenômenos, os negócios digitais podem aumentar de forma exponencial os ativos digitais e de conectividade com um custo muito baixo e alcance global. Graças ao digital, a distribuição de produtos e serviços requer cada vez menos a presença global física como condição necessária para a viabilidade de um negócio.

Pequenas empresas podem agora chegar a milhões de clientes por meio de uma mistura de portais de comércio eletrônico, redes sociais, canais e parceiros em soluções digitais. Essas pequenas empresas, que antes estavam restritas aos mercados de no máximo sua cidade, agora podem atingir virtualmente qualquer lugar no mundo. E o mais importante, conseguindo alcançar economias de escala a partir de uma base de produção física muito pequena.

É o caso da Warby Parker (https://goo.gl/uZT84c), uma startup americana do varejo de óculos que nasceu na web há 6 anos, fez fortuna e agora inicia suas operações físicas. O modelo de negócio da empresa não é só vender óculos on-line, mas desenhá-los e evitar pagamentos de licenças pelos modelos. Além disso, a empresa vende on-line evitando os aluguéis e possui um sistema de entrega e devolução grátis de até 5 modelos, para escolha do cliente. Os preços são limitados a US$ 100,00, e a empresa fez US$ 35 milhões em 2013 (R$ 116,5 milhões), e US$ 100 milhões em 2015 (R$ 335 milhões), mas ainda não é lucrativa.

A Warby Parker é um modelo de negócio resultado da junção dos produtos físicos, com necessidade de grandes economias de escala em grandes mercados para reduzir os custos e os ganhos de escala que o meio digital possibilita com os efeitos/economias de rede.

É um exemplo sofisticado do que é possível fazer, com as ferramentas digitais, em uma pequena empresa local operando no mercado físico, mas cujo market share cobre apenas poucas ruas do bairro onde está instalada. O digital pode oferecer a escala necessária para seu crescimento.

Mas nem tudo que é bom e funciona é fácil e simples. Portanto, três dicas para os empreendedores de tijolo-e-cimento do mundo físico que queiram se aventurar no mundo digital:

1)    As economias de escala são importantes para produtos que podem ser entregues on-line ou para conquista de leads/prospects on-line. Produtos sob encomenda e customizados nem sempre se prestam a produção em massa.

2)    Muitos produtos e serviços necessitam de ativos complementares, ou seja, lojas físicas precisam de logística, embalagens adequadas, sistemas on-line e de controle que são fornecidos por terceiros.

3)    A proposta de valor só se torna viável quando se observa as dicas anteriores, pois não se pode prometer uma coisa, a exemplo de prazo, e entregar com 3 dias depois do pedido feito na mesma cidade.

São questões que parecem simples, mas que se articulam com toda a cadeia de valor do negócio e a diferença está na assertividade do encaixe das atividades de valor com as economias de escala oriundas da internet. A rede vem permitindo que pequenas empresas atendam cada vez mais a públicos maiores, tornando as economias de escala possíveis, sem que se haja grandes investimentos.

Mas as economias de escala, no mundo digital, não é tudo, como está claro, nas dicas acima. É nessa falha que entra a experiência digital do consumidor. Novas plataformas, novos negócios e novas experiências de compra que estão colocando em xeque as lojas físicas, em que apenas o tamanho e preços baixos eram essenciais.

Pensar digital é um novo pensar, não só pensar novo.

Bons negócios e boa sorte!

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