Esse post foi escrito por meu querido amigo, o Sociólogo, Sergio Coutinho. Uma boa reflexão sobre o alagoano, vale a leitura:
“É difícil escrever sobre o comportamento do alagoano. O plural no nome do estado é dúbio e explica o problema, afinal “Alagoas” deveria ser explicado não pela estrutura lacunar do estado, mas pela pluralidade de perspectivas possíveis. O alagoano é um coletivo.
Este é o estado com o maior número de manifestações de cultura popular catalogadas em todo o Brasil. Isto mostra como seu povo precisa se expressar de diversas formas. A ideia econômica e política de microrregiões auxilia mais do que a simplicidade de dividir Zona da Mata, Agreste e Sertão, mas esta tríade é um bom começo.
É um grande mito tentar lidar com Alagoas como se fosse um estado voltado para o mar. São poucas as cidades litorâneas e mesmo entre elas uma área física pequena de cada uma encontra-se próxima ao mar. Há uma vida inteira sem conexão com as praias na periferia da capital e em boa parte das demais cidades. A vida comercial de Maragogi não depende das praias, mas a procura nacional por seus resorts cria esta ilusão. Do mesmo modo, a preservação histórica de Marechal Deodoro está mais próxima da vida econômica da cidade do que a sazonal relevância da praia do Francês.
Falando mais sobre a capital, Maceió possui um vivo comércio em seus bairros mais populosos que se separa muito da rotina entre shoppings e praias. A periferia da cidade, entre conjuntos residenciais, favelas, grotas possui uma vida paralela às propagandas oficiais do turismo da cidade que volta toda a cidade para um ilusório “paraíso selvagem” em Alagoas. A instabilidade de pontos comerciais com negócios se encerrando em pouco tempo na área litorânea não tem algo semelhante nestes outros bairros, que têm autossuficiência e identidade bem definidos por seus moradores. 

A zona da mata tem subdivisões, bem como o agreste e o sertão o têm, não mais com a mesma imagem da caatinga de Graciliano em “Vidas Secas”, mas com cidades com distinções em seus hábitos que precisam ser reconhecidas. O grande fluxo de moradores que estudam em cursos superiores na capital e nas principais cidades do estado já é uma rotina há anos, mudando o imaginário coletivo das cidades. A mudança é lenta em muitos aspectos da vida privada, da organização familiar, mas perceptível no surgimento de novas necessidades e ideias.
O desenvolvimento de Alagoas passa, necessariamente, por não padronizar seu povo como uma unidade, mas perceber sua pluralidade de identidades internas e atendê-las separadamente. “
Complementando o escrito do Sergio, além da pluralidade alagoana existe a generosidade. A foto que embeleza esse post foi gentilmente cedida por meu amigo Leo Villanova, talentoso chargista, fotografo e alagoano (http://www.leovillanova.net/).

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