Em dias de divulgação dos resultado das taxas de emprego em Alagoas (http://migre.me/wuaFM), não podemos deixar de pensar na avassaladora realidade que está impondo ao país uma taxa de desemprego ampliado de 21% (http://migre.me/wuaHu). O fato que nos faz pensar, e ter um frio na barriga, é que isso está acontecendo em uma economia ainda baseada em setores econômicos tradicionais e, teoricamente, absorvedores de mão-de-obra pouco qualificada. Como é o caso da maior parte da mão-de-obra no Brasil. Ou seja, para o nível de renda nacional os setores tradicionais, com produtos mais baratos e commoditizados, deveriam dar trabalho a mais gente. Só que isso não ocorre mais no mundo da economia digital, nem no Brasil.

O desemprego em Alagoas ocorre justamente em setores que empregam muita gente desqualificada, como o setor sucroenergético, o comércio e os serviços. A construção civil também absorve um grande volume de pessoal sem qualificação no estado e vem desempregando em massa. Juntos esses setores somaram uma perda de quase 11 mil vagas entre janeiro e dezembro de 2016, segundo dados do CAGED. Esse emprego não volta mais, ao menos do jeito que ele foi encerrado, considerando as circunstâncias atuais de concorrência empresarial e reestruturação econômica.

Anita Kon (http://migre.me/wubvt) afirma que a estrutura ocupacional da economia reflete a forma pela qual o conhecimento tecnológico se difundiu e foi capaz de ser absorvido pela força de trabalho local. Ora, se em Alagoas os setores econômicos que mais empregam absorvem exatamente a mão-de-obra com pouca qualificação, o nível de ajustamento dessa economia aos ditames empregatícios do novo mundo digital será por demais lento, caso não haja um esforço maior em relação a educação formal e a qualificação específica da mão de obra no estado. Lembrando que a palavra “emprego”, nesse mundo digital, está mudando de significado.

É justamente nesse ponto que Alagoas mais peca. Por exemplo, em um ranking recente das Melhores Cidades para Viver (http://migre.me/wuc0f), Maceió fica em último lugar exatamente no indicador de Educação e Cultura. Não é preciso lembrar os outros indicadores em que nosso estado sempre fica por derradeiro ou disputa esse último lugar. Sintomático não?

Capacidades e habilidades.

Nessa última semana algumas reportagens sobre o emprego no mundo digital[1] mostraram que o que importa são as capacidades cognitivas e habilidades em utilizar a abstração como ferramenta de trabalho, pois os robôs iram tomar os empregos com atividades repetitivas. E esse é o ponto, Kon (2016)[2] comenta que “quando a tecnologia é automatizada [e há liberação de mão de obra – grifo nosso] ou tão nova que não existe experiência anterior, o sistema educacional global é o fator mais importante para o suprimento da mão de obra que se adapte às novas funções ou ocupações criadas”. Então o sistema educacional global tem que oferecer um conjunto de conhecimentos e habilidades que preparem o ser humano a tomar decisões, aprender a aprender, empreender sob risco e improvisar corretamente quando não há manuais. Longe der ser um mero repetidor de rotinas ou piloto de manuais.

Uma faceta desse tipo de trabalhador já aparece na economia alagoana, mesmo que timidamente. Os dados da RAIS, do Ministério do Trabalho e Emprego mostram que haviam 2.718 empregados em 2015 no setor da Economia Criativa. Esse setor engloba, por exemplo, o pessoal que trabalha com softwares, design, arquitetura, publicações, artes visuais e artes cênicas, analistas, etc; além de toda uma cadeia produtiva de fornecedores e consumidores altamente qualificados e de trato sofisticado. A questão da sofisticação da demanda é ponto chave para a qualificação de fornecedores. No gráfico abaixo podemos ter uma ideia desse setor em Alagoas.

      gráfico-economia-criativa

Fonte: elaborado pelo autor com dados da MTE/RAIS (2017).

Empregos nesses setores exigem habilidades além da formação oficial, pois não existem rotinas definidas e a capacidade de abstração do profissional é mais valorizada que a habilidade manual. Esse é o profissional do futuro e essa é a economia real, mesmo que alguns conterrâneos pensem, de modo legítimo e louvável, que os programas de revitalização de favelas sejam mais importantes que a ampliação e sustentação das vagas nas escolas públicas.

Boa reflexão e boa sorte!

[1] http://migre.me/wufE9; http://migre.me/wufGS; http://migre.me/wufN3
[2] KON, Anita. A economia do trabalho: qualificação e segmentação no Brasil. Rio de Janeiro, RJ. Alta Books, 2016.

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