O título do post parece uma lista de ingredientes de uma salada indigesta, tirando Alagoas claro. A terra dos Caetés é maravilhosa demais para sofrer com isso também, mas infelizmente vai sofrer. O que está por traz desse sofrimento é o aumento do grau de incerteza, elemento chave para se entender o capitalismo.

Para entender essas relações de causa e efeito é preciso compreender que o capitalismo se move pelo gasto (público ou privado), e que os agentes econômicos apresentam comportamentos que podem impulsionar ou retardar seus gastos. O que altera o comportamento dos agentes, seja para melhor ou pior, são as expectativas quanto ao funcionamento futuro do ambiente econômico, que se diga, essas expectativas são extremamente subjetivas e idiossincráticas. Então, com toda a delicadeza requerida na tomada de decisões quanto a gastos, que irá mover a máquina do capitalismo, se houver um aumento nas subjetividades de interpretação dos agentes quanto ao futuro, devido ao desemprego, falta de crédito, juros altos e, ainda, incerteza política, no final a economia para. A incerteza é inerente, é da natureza do sistema capitalista. No fim não existem mercados eficientes e claros, pois os agentes não são racionais em suas decisões, o mundo é complexo demais para você saber tudo (veja mais aqui http://migre.me/wqmbh).

E qual o impacto disso tudo em nossa querida Alagoas?

A incerteza reduz o ímpeto de investimento dos empresários, pois estes não sabem para onde o barco da economia está indo. Tudo o que se diz hoje sobre a saúde da economia brasileira é a mais pura especulação. Os indicadores econômicos que estão reagindo são resultado da brutal recessão por qual passa o pais, daí a inflação cai, a balança comercial melhora (as importações diminuem e aumenta o saldo de exportações) e o câmbio se mantém mais ou menos estável. Mas de resto, a crise continua.

Alagoas não está fora desse cenário, apesar de haver algum consumo no varejo local, pois 1/3 da mão-de-obra formal local é funcionário público, que recebe todo o mês e caracteriza nossa classe média. Mas isso não impede do aumento de fechamentos de empresas no estado, foram 8 mil ano passado.

O resultado depois da lista do Fachin é que as incertezas políticas nacionais e locais aumentem as desconfianças dos empresários para investir, ampliar os negócios, gerar emprego, enfim, colocar a economia de novo nos trilhos. Ademais, nessa condição incerta, a arrecadação cai ainda mais, decorrente de menores vendas e produção, inviabilizando o gasto público, seja via investimentos ou custeio. O ajuste fiscal por qual passou Alagoas em 2015 deram resultados até ano passado, esse ano a penúria deve chegar mais forte.

Para dar um exemplo, o governo estadual está reduzindo gratificações e comissões de parte do funcionalismo como medida de ajuste fiscal, louvável e necessário, mas a repercussão disso é a redução do poder de compra da classe média alagoana. Outro exemplo é que o governo do estado tem em caixa algo perto de R$ 1 bi, mas não pode gastar devido ao teto imposto pelo governo federal, votado em fins de 2016.

Junto a tudo isso, o projeto de recuperação fiscal dos estados, uma das ações ajustar as contas dos estados já passa pelo quarto adiamento no congresso (http://migre.me/wqmBJ), impedindo o estado de planejar melhor seus gastos, o que acarretará a realização de novos contingenciamentos do orçamento como garantia para pagamentos da dívida.

Alagoas é um estado de economia frágil, carente de mais investimentos privados, que seja capazes de gerar empregos de qualidade. Também existem carência de investimentos públicos que melhorem os indicadores sociais. Esse estado tenta atravessar um tsunami que combina crise econômica com crise política. Infelizmente, quando chegarmos a praia o custo dessa travessia terá levando boa parte da base de investimentos anteriores (sobre isso veja esse post http://migre.me/wqmL4), ficando difícil recomeçar do zero.

Boa sorte para todos!

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