O Brasil todo está sentindo fortemente os impactos da crise econômica e o aprofundamento das incertezas políticas que tende a agravar ainda mais os efeitos dessa crise. Em Alagoas os impactos da crise já se faziam sentir em fins de 2014, com a redução do emprego temporário da época e a consequente queda de vendas no comércio varejista no Natal daquele ano. O comércio e os serviços são setores responsáveis por 45% do emprego formal em Alagoas e 71% da riqueza gerada no Estado. São números expressivos e que requerem atenção ao que acontece nessas atividades econômicas.
      O impacto pleno de nossa condição de crise se fez sentir em 2016, com o fechamento de cerca de 8 mil empresas e com a inadimplência do ICMS por parte de apenas 44% das empresas ativas no estado. Os motivos que podem ser apontados para essa situação é a redução da renda da população, via desemprego, e o aperto no crédito, reduzindo o impacto positivo do consumo na geração de riqueza. Menos dinheiro circulando, menos compras e menos crescimento da economia.
     Nessa situação não muito confortável, somando-se as incertezas decorrentes da condição política, tanto local como nacional, além dos encaminhamentos das necessárias reformas e da recuperação econômica que teima em não aparecer, cria-se um ambiente extremamente instável e arriscado para investimentos. Esse conjunto de fatores impossibilitam o desenho de cenários factíveis para a economia alagoana, mas o que se pode dizer é que houve um conjunto de ações realizadas no passado e o atual ajuste nas despesas públicas poderão dar alento a sofrida terra dos Caetés.
     As ações passadas, voltadas para a reconstrução do tecido empresarial alagoana em virtude da redução da atividade do setor sucroenergético foram: 136 empresas aprovadas pelo Programa de Desenvolvimento Integrado do Estado de Alagoas (PRODESIN) entre 2004 e 2014, a instalação de grandes empresas como a PortoBello (cerâmica), Granbio (biomassa), Tomé Ferrostal (naval), Jaraguá equipamentos (metalomecânica), Cimentos Zumbi e o Programa de Arranjos Produtivos Locais com 18 regiões produtivas, entre outras atividades relacionadas em livro organizado por mim e disponível em http://migre.me/wnVs0.  Outra questão que estava sendo construída em um passado recente era o Sistema Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação, vide Plano Estadual de CTI e suas notas técnicas (http://migre.me/wnW3n), mas que agora também corre risco de naufrágio caso não seja realizada nenhuma ação concreta no fortalecimento das instituições do sistema e seu financiamento.
     Atualmente, cerca de 14 pequenas e médias empresas industriais estão em fase de projeto e pré-operação em Alagoas, além do esforço em relação a diversificação produtiva na agricultura, saindo da monocultura da cana-de-açúcar para a produção de grãos, mais especificamente soja e milho. Esses fatos sinalizam uma janela para a mudança da condição alagoana no curto prazo, mas o sucesso dessas ações e investimentos ainda dependem de forte vontade política e uma grande orquestração dos agentes econômicos e instituições envolvidas para o desenvolvimento alagoano.
     Essas ações em Alagoas podem servir de impulso para novos negócios, contanto que haja uma boa coordenação de políticas públicas, mais investimento em educação e formação da mão-de-obra, e claro, entender que ciência, tecnologia e inovação é estratégico para o desenvolvimento local, mesmo quando se sabe das limitações do tecido empresarial alagoano.

Boa sorte e bom trabalho.

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