Missão, inovação e crescimento: habitação no Brasil e na China.

Em números recentes fornecidos pelo IBGE (https://goo.gl/WX49kz) o número de famílias morando de favor aumentou em 7% no ano de 2017. Esses dados se tornam aparentes e nos tornam sensíveis com o aumento de pessoas vivendo nas ruas existente no país e culmina com a Tragédia do 1º de Maio no Edf Wilton Paes de Almeida, no Largo Paissandu em São Paulo.

Segundo dados do IPEA, no Brasil há um déficit habitacional de 5,4 milhões de moradias. Só em Alagoas estima-se esse déficit em cerca de 270 mil. Mesmo com o programa Minha Casa Minha Vida. Essa é a tragédia habitacional brasileira, mais uma entre tantas tragédias com as quais convive o cidadão brasileiro.

A questão da moradia é uma importante questão social no Brasil e que poderia se transformar em uma Missão do Estado na busca para estruturar um sistema de bem-estar no Brasil, utilizando a definição de Eduardo da Motta e Albuquerque (https://goo.gl/SLtKFs).  Os sistemas de bem-estar conseguem mobilizar o complexo sócio econômico de um país, região ou estado de modo a desenvolver o sistema produtivo e tecnológico local. Temos o bem montado, mas não tanto eficiente, SUS como o melhor exemplo brasileiro da questão da Missão do Estado em resolver um problema que aflige a sociedade.

A construção civil é um importante setor para o desenvolvimento, haja vista que é uma cadeia produtiva longa, tecnologicamente complexa e cujo produto está regionalmente definido, ou seja, é um produto não-exportável e de impacto local. A construção de uma residência favorece fortemente a geração de riqueza local e por conta da cadeia longa, a riqueza se multiplica para vários setores da economia do país.

Mas o cenário da construção civil no Brasil é de existência de uma enorme demanda potencial para residências e infraestrutura e uma oferta reduzida e incerta, pois é altamente dependente da conjuntura econômica e do crédito.

Essa Missão que a sociedade assume deve ser conduzida pelo Estado e envolve o enfrentamento de problemas específicos que afligem a sociedade e a habitação é um problema social gritante e mortal para nossa sociedade. Mas por outro lado, apresenta um enorme potencial de alavancar o desenvolvimento econômico brasileiro, haja vista que esse setor representa cerca de 6,2% do PIB nacional. Na China esse setor representa 15%.

O programa Chinês de habitação (atualmente Comfortable Society e Basic Housing Right), disponibilizou, em 2016, 10 milhões de habitações para famílias de baixa renda. Esse esforço do Estado Chinês se soma ao programa de liberalização econômica e da criação de novos arranjos institucionais que garantiram a propriedade privada dos imóveis e a criação de um forte mercado imobiliário nas principais cidades chinesas. A meta é em 2020 cada cidadão chinês possuir sua própria casa.

Esse esforço na China mobiliza não só as empresas de construção civil, mas também os esforços em P&D no desenvolvimento de construções mais sustentáveis, novos materiais e técnicas de construção mais eficientes, incluindo impressão 3D, além do financiamento e gestão das empresas e dos subprogramas.

A construção civil na China emprega cerca de 2,3 milhões de pessoas e movimentou em investimentos cerca de US$ 910 bi, só em 2011, por exemplo (https://goo.gl/uZxyvZ). Os investimentos dos fundos de capital de risco, em 2017, investiram cerca de US$ 12,6 bi em startups ligadas a construção civil e ao mercado imobiliário, esse número foi o triplo do registrado em 2016.

Por fim, são os desafios que a sociedade escolhe enfrentar mostra o comprometimento que todos seus cidadãos possuem com o bem-estar de todos. No Brasil precisamos ter isso em mente para entender qual as Missões que o Estado brasileiro precisa enfrentar para o bem de nosso povo. A política pública tem que chegar à sociedade e não ficar apenas em Brasília.

Nos próximos posts mais sobre empreendedorismo e inovação na China, sempre com um olhar para o nosso Brasil.

Sobre a China: construindo as instituições de mercado.

Atualizado

“Desenvolvimento é o princípio absoluto” – Deng Xiaoping

Esse escrito abre uma serie de outros textos que relatara minha experiência de pesquisador na China. Não tenho como discutir em profundidade as relações de negócios, mas tentarei encaixar um marco analítico com o que observei. Os textos apresentarão algumas referencias da literatura especializada, mas serão todas citadas ao final dos textos.

Yuval N. Harari, em seu excelente livro Sapiens, mostra algumas informações que podem nos fazer pensar:

1) Em 1775, a Ásia era responsável por 80% da economia mundial.

2) Nesse período, Índia e China representavam 2/3 da produção global.

3) Quando o Almirante inglês James Cook conquistou a Austrália, a China e o Império Otomano detinham melhores tecnologias para navegação que a Inglaterra.

4) Adam Smith e Karl Marx leram e emularam lições de economistas mulçumanos, anteriores a eles.

Esses são algumas informações, dentre muitas outras que deixam uma pergunta:…

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Sobre a China: construindo as instituições de mercado.

“Desenvolvimento é o princípio absoluto” – Deng Xiaoping

Esse escrito abre uma serie de outros textos que relatara minha experiência de pesquisador na China. Não tenho como discutir em profundidade as relações de negócios, mas tentarei encaixar um marco analítico com o que observei. Os textos apresentarão algumas referencias da literatura especializada, mas serão todas citadas ao final dos textos.

Yuval N. Harari, em seu excelente livro Sapiens, mostra algumas informações que podem nos fazer pensar:

1) Em 1775, a Ásia era responsável por 80% da economia mundial.

2) Nesse período, Índia e China representavam 2/3 da produção global.

3) Quando o Almirante inglês James Cook conquistou a Austrália, a China e o Império Otomano detinham melhores tecnologias para navegação que a Inglaterra.

4) Adam Smith e Karl Marx leram e emularam lições de economistas mulçumanos, anteriores a eles.

Esses são algumas informações, dentre muitas outras que deixam uma pergunta: por que o Oriente não estabeleceu a revolução industrial e a primazia do desenvolvimento/crescimento econômico, como o vivenciado pela Europa e EUA a partir de 1770? O autor responde dizendo que os asiáticos, em especial os Persas e Chineses, não precisavam da tecnologia em si, ou seja, àquela época a tecnologia era relativamente simples e poderia ser comprada no mercado, o que esses povos não tinham eram os valores, os mitos, o aparato jurídico e as estruturas sociopolíticas que levaram séculos para serem forjadas e amadurecidas no Ocidente e não poderiam ser copiadas rapidamente por países com culturas muito diferentes. Ou seja, as instituições e a trajetória histórica europeia importava.

Esse raciocínio pode ser considerado eurocêntrico, mas serve para colocar na sala de debates sobre desenvolvimento, as instituições. E a partir dessa ideia, as instituições para o desenvolvimento da China moderna.

Entendemos as instituições como as regras do jogo social e como os diversos atores econômicos (que são os jogadores) diante de uma estrutura de incentivos e restrições se comportam. E esse é o ponto, como um país que já foi potência econômica e militar séculos atrás, entra em ostracismo e se reinventa em suas instituições, recentemente, se apresentando como a nova potência do século XXI?

Aparentemente a resposta é a busca pelo desenvolvimento, mas essa busca é multifacetada e levaria vários livros para cercar um conjunto de razões. Nesse texto e nos próximos vou me focar na questão de ciência e tecnologia que eu vivenciei na China e fazer um paralelo com algum dos nossos desafios em terra brasilis.

A grande curiosidade de todos, e a minha também era, é saber como um país socialista, com um sistema econômico dito arcaico por nós ocidentais, consegue ser a potência da vez no mundo?

Antes da resposta é importante entender que a China hoje possui uma classe média com 600 milhões de pessoas, as vendas anuais de automóveis são de 24 milhões de unidades, possui 162 parques tecnológicos credenciados pelo governo central com 71 mil empresas de tecnologias instaladas nesses habitats de inovação.

Então, parte da resposta a pergunta feita anteriormente está em um artigo de Rodrik, Subramanian e Trebbi (2004), que diz que na China existe um sistema legal socialista, mas os empreendedores se sentem seguros para realizar seus investimentos, grandes ou pequenos. E isso acontece por que os direitos de propriedade são respeitados, ou seja, uma instituição liberal e típica do ocidente foi emulada e adotada por um sistema socialista.

Entre outros motivos que levaram a China a desenvolver um “Socialismo com características chinesas”, foi por conta do fracasso da Revolução Cultural Maoista em fins da década de 1960. Na década de 1970 a China resolveu incorporar instituições de mercado em sua reforma econômica, mesmo que seu sistema político fosse o socialismo. Essa incorporação se deu como alternativa ao rígido planejamento central da economia que estava matando os chineses de fome, produzindo o que não era necessário e o que era necessário não era produzido.

Mas Weinsgast (1995) argumenta que o maior avanço institucional na China foi a descentralização do planejamento e execução de políticas do nível central para o local, ou seja, o governo central chinês descentralizou, em nome de maior eficiência e rapidez para o processo de crescimento econômico, o planejamento e a execução de ações revigorantes do mercado para os governos locais das províncias. Isso realmente acontece quando se observa que a prefeitura da cidade de Xi´an, com 8 milhões de habitantes, define uma região de 5 km2 como Zona de Desenvolvimento Industrial de Alta Tecnologia (Hi-tech Zone), eu hoje abriga 30 mil pessoas empregadas em empresas de tecnologia, mas com planos para empregar 180 mil.

Esse mercado de trabalho dinâmico só pode ocorrer se houver livre fixação de preços dos salários e as empresas instaladas podem fazer negócios sem nenhum controle, caso contrário não haveria a demanda para os possíveis 180 empregados.

Mas o Estado forte se faz presente sempre, pois essa zona de alta tecnologia foi estabelecida com recursos do governo central e municipal em 1991 para receber empresas de alta tecnologia, sejam locais ou estrangeiras. Esse planejamento faz parte do esforço de desenvolvimento regional do governo central chinês, mas é totalmente executado pela prefeitura (governo local) da cidade de Xi’an. O nível de descentralização chega ao ponto de que a Universidade Federal Xi´an Jiaotong possuir um fundo autônomo e próprio para financiar a inovação, uma empresa de transferência de tecnologia e outra para administrar os imóveis onde funcionam o parque tecnológico, ou seja, a universidade é responsável por seu resultado e estabelece sua própria estratégica, mesmo sendo federal. Tudo isso, claro, dentro de uma estratégia maior de exploração das tecnologias como negócio para fazer uma China forte, segundo o mantra repetido e escrito a exaustão em vários locais e órgãos públicos e privados.

Então ficou claro que a reforma econômica chinesa, entre outras coisas, construiu um marco institucional mais arrojado e capaz de dar conta do mix de centralismo político socialista com a abertura de mercado e decisões livres a nível microeconômico. Os mercados locais e o empreendedorismo floresceram, mas a liberdade política continua regulada pelo governo central. Ao fim, atualmente a China cresce a taxas de 6,5% ao ano, já cresceu 10% ao longo da década de 1980 e parte dos 1990. Esse crescimento caracteriza a China como um dos países mais inovadores do mundo, com 1,3 milhões de pedidos de patente só em território chinês, onde o mundo todo pediu 3 milhões, em 2016.

A combinação de instituições de mercado em nível microeconômico e o centralismo político socialista, até agora vem gerando bons resultados para o povo chinês, que saiu de uma situação catastrófica pós-revolução cultural, quase entra em guerra civil em 1989 e atualmente negocia em condições de igualdade com a maior potência do século XX, os EUA. Portanto, o adágio dito pelo autor das reformas chinesas Deng Xiaoping: “ Não importa a cor do gato, seja ela preta ou branca, o que importa é que o gato pegue o rato!”, reflete bem o pragmatismo que hoje rende os resultados observados na economia chinesa.

Nos próximos posts irei me aprofundar mais sobre a questão da inovação, ciência e tecnologia na China.

Referências: 

HARARI, Yuval N.; PERKINS, Derek. Sapiens: A brief history of humankind. HarperCollins, 2017.

RODRIK, Dani; SUBRAMANIAN, Arvind; TREBBI, Francesco. Institutions rule: the primacy of institutions over geography and integration in economic development. Journal of economic growth, v. 9, n. 2, p. 131-165, 2004.

WEINGAST, Barry R. The economic role of political institutions: Market-preserving federalism and economic development. Journal of Law, Economics, & Organization, p. 1-31, 1995.

Pontes do Golfo

Graciliano Ramos, segundo consta em vários comentários, era carrancudo e mal-humorado, além claro de ser um dos maiores escritores que o Brasil já teve. Uma de suas histórias de mau humor dá conta de uma conversa que ele teve com um jornalista sergipano, exatamente sobre Alagoas e Sergipe, ele comentou que deveriam bombardear a Foz do Rio São Francisco e transformar os dois estados em um golfo, afinal, dizia o Mestre Graça, todo grande país tem um Golfo. Como ele próprio falou: o Golfo das Alagoas.

Pois é, a ideia do golfo refletia a pouca expressividade de Alagoas e Sergipe em termos nacionais. Apesar da terra Caeté ter sido berço de dois presidentes da República, políticos influentes desde o império e outas personalidades com referencias nos corredores palacianos do Rio de Janeiro, além de outros alagoanos ilustres nas ciências e nas artes, mesmo naquela época.  

Mas parece que o vaticínio do Mestre Graça aconteceu, pois para Alagoas só restou a rabeira dos processos de desenvolvimento que nosso país passou desde que se tornou independente. Depois de 1817, Alagoas muito andou para ficar no mesmo lugar, estagnada num grande canavial, com tudo o que isso representa.

Mas agora, depois de 200 anos a libertação está para ocorrer. O debacle do setor sucroalcooleiro e a ascensão, mesmo que tímida e lenta, de uma nova categoria de empreendedores alagoanos sinaliza para a diversificação produtiva há tanto esperada.

No campo, a cana ainda resiste, mas já há sinais de produção consorciada, os testes com a soja, a produção de ovinoscaprinos, eucalipto, horticultura, além da água no canal do sertão que poderá potencializar o esforço no projeto de diversificação da agricultura alagoana, que entre idas e vindas, vem sendo tocado desde o final da década de 1990.

Em Maceió, cidade extremamente favelizada e pobre (a renda média do estado em que é capital de apenas R$ 658,00), sobrevive e luta um grupo de empreendedores inovadores – digitais e industriais – que está fazendo a diferença e construindo pontes a partir desse lado do golfo. Essas empresas possuem clientes fora do estado, capacitam seu pessoal de forma a valorizar competências e habilidades, seus proprietários aprenderam fora do estado ou vieram de fora para viver em Alagoas e, o mais importante, trouxeram uma forma de pensar e agir pouco comum para os empresários tradicionais nessas terras.

Mas faço o registro de um outro grupo de pessoas que tenta construir outras pontes a partir do Golfo das Alagoas e tenho a sorte de ser amigo de alguns. Esse grupo é de professores, pesquisadores e inovadores na forma de passar conhecimento, mudar a mentalidade de nosso povo a partir de seu trabalho diário, no ensino e na pesquisa. Inicialmente, registro os esforços de meu amigo Eduardo Setton que desde que assumiu a Secretaria de Ciência e Tecnologia do Estado de Alagoas (SECTI) vem tentando construir pontes a partir do golfo. As grandes figuras alagoanas e meus amigos, Josealdo Tonholo, Reynaldo Rubem e Antonio Oliveira (o Toni) que tão bem representam nosso estado em fóruns fora das terras Caetés, que representem também tantos outros alagoanos que vem trabalhando, silenciosa e arduamente, para construir pontes e ligar o Golfo em outras praias.  O amigo alemão Peter Focke que mesmo nessas terras estranhas, construiu raízes e trabalha, ensinando a língua universal, o inglês, para vários alagoanos construírem suas pontes internacionais. E por fim, meu camarada Araken Lima, outro alagoano que luta incessantemente a partir de suas bases fora de Alagoas para a construção de pontes e que construiu essa que está nos levando à China.

É nesse intuito que parto para uma aventura chinesa, levando na bagagem a vivência e a experiência do convívio com essas pessoas amigas na luta para a construção de pontes. Visitaremos universidades e vários habitats de inovação onde iremos fazer várias apresentações e aulas, sempre com o intuito de construir a partir do Golfo das Alagoas pontes suficientes para ajudar a trazer para nossa terra o desenvolvimento que ela tanto necessita.

Alagoas tem empregos, mas com salários muito baixos.

Na virada dos 1970 para 1980, Maceió possui cerca de 400 mil habitantes e todo o estado de Alagoas possuía 1.982 milhão de pessoas, das quais 51% estavam nas regiões rurais do estado.  Se estabelecia na capital uma classe média formada por funcionários públicos, fornecedores de cana e profissionais liberais, resultado das políticas de incentivo ao crescimento econômico conduzida pelos militares. Essas políticas, em Alagoas, impactaram diretamente no fortalecimento do setor sucroalcooleiro e na expansão da máquina pública patrocinada pela dobradinha Suruagy – Guilherme Palmeira entre 1975 – 1986. Essa época marcou até hoje o desenvolvimento do estado. E é sobre esse desenvolvimento que tentarei discorrer mostrando alguns dados recentes do emprego no estado.

Os dados de emprego no Brasil para 2017 não refletem a animação com a economia que o governo trata de propalar, mas convenhamos, os ministros têm que defender o deles e nós temos que desconfiar quando a esmola é grande. A desconfiança começa pela futurologia do crescimento da economia em 2018 de cerca de 3%, que é aposta do governo e alguns economistas ligados a ele. Ora, nada garante isso, pois o ano está só começando e ainda temos copa e eleições, fenômenos que param o Brasil.

Além disso, houve uma destruição real de 7 milhões de vagas nos últimos anos de crise e que não são refeitas em um ou dois anos. Talvez não sejam nem mais refeitas, dado a mudança estrutural que o emprego está tendo no mundo todo, ou seja, está mudando o que chamamos de emprego. Que o diga a reforma trabalhista com o trabalho intermitente.

Entender o comportamento dos empregos e salários, ajuda a entender a economia real e os caminhos futuros dessa economia. A questão é que dados do mercado de trabalho traduzem melhor o que está acontecendo com a economia real, ou seja, com a economia nas empresas e nas famílias. Se as empresas sentem que a economia está mal, elas demitem e isso impacta diretamente no poder de consumo das famílias, que passam a consumir menos e afetam a percepção sobre a economia por parte das empresas. É um ciclo vicioso e complicado, por isso que alguém precisa dizer que está tudo bem e vai melhorar e isso é feito, geralmente, pelos governos.

Pois bem, quando a gente se debruça sobre os dados recentes de Alagoas e olha lá para trás, como eu sugeri no segundo paragrafo desse texto, a gente entende a situação atual na qual estamos. Vejamos alguns dados recentes, agora:

Empregos líquidos por faixa salarial

Faixa salarial 2016 2017
Até 0.50 124 386
0.51 a 1.0 793 1086
1.01 a 1.5 -2487 -5317
1.51 a 2.0 -5176 -2136
2.01 a 3.0 -1981 -973
3.01 a 4.0 -586 -405
4.01 a 5.0 -320 -248
5.01 a 7.0 -315 -300
7.01 a 10.0 -273 -191
10.01 a 15.0 -191 -134
15.01 a 20.0 -61 -58
Mais de 20.0 -87 -92
Vagas perdidas -10560 -8382

Fonte: CAGED, MTE (2018)

 

Essa tabela é bastante esclarecedora para a gente entender a questão (1) do desenvolvimento e (2) da situação atual ou para onde vamos. Deixo claro que o que vivemos hoje é resultado das decisões passadas.

Quando a gente analisa na tabela que o saldo positivo de empresas nos dois anos mostrados está em empregos com até 1 salário mínimo, já sinaliza que nossa estratégia de desenvolvimento não priorizou empregos mais qualificados e de maior salário. E olha que a grande perda de emprego em Alagoas, sinalizadas nas faixas de 1 a 3 salários mínimos é exatamente do setor sucroalcooleiro, que fechou várias usinas.

Mas mesmo diante desse quadro, tampouco, ao que se percebe, existe alguma estratégia de desenvolvimento que fortaleça setores de maior valor agregado, é só olhar para a as faixas salariais mais altas perdendo postos nos dois últimos anos, pois andam falando que esses últimos foram muito bons para Alagoas a despeito da condição nacional. Falam-se em muitas estradas, mas não se vê nenhum caminho.

Assim, pagamos hoje um preço alto pela predominância da estratégia da monocultura que beneficiou muitos no passado, mas que alguns desses hoje amargam problemas. Mas por outro lado, podemos continuar sofrendo no futuro por que os ajustes de curto prazo ainda são realizados de forma autônoma e sem se orientar para o futuro, que já está em nossa porta mas nós não sabemos como recebe-lo.

Deixo em aberto outras questões para o leitor pensar e fazer seus comentários nesse post. Vai que eu estou errado e Alagoas realmente está indo pelo caminho certo.

Boa sorte e bom trabalho!

Textos da disciplina – Economia da Inovação

Caps 1 e 3 do livro “O núcleo tecnológico da indústria brasileira”, “Empresas líderes da indústria brasileira” e “Agroindústria”. http://www.abdi.com.br/Estudo/NucleoTecnologicoVolume1.pdf

Artigo “Fundamentos e Microfundamentos
da Capacidade Dinâmica da Firma” https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/rbi/article/view/8648959

Artigo “Esforço inovador na indústria alagoana: uma survey” https://portalseer.ufba.br/index.php/revnexeco/article/view/15252

O sonho de inovar!

Não é de hoje que a palavra inovação está na cabeça de muitos que estão ligados, direta ou indiretamente, ao setor produtivo brasileiro.

Mas, a inovação não é um fenômeno simples e de execução linear, ou seja, a empresa pensa, emprega esforços e, de repente, surge a inovação. Para que a inovação ocorra, e geralmente ela ocorre na empresa, é necessário que haja um conjunto de ações e atores no entorno da empresa.

Geralmente esse entorno está circunscrito geograficamente, numa cidade, ou numa região maior, mas não muito maior que algumas cidades vizinhas. A inovação é, também, um fenômeno geograficamente localizado e dependente de benefícios e facilidades existentes naquele local.

Esses benefícios são oriundos da integração desses 4 P´s no ambiente regional, quais sejam:

a)       O Público (Public) – a atuação do setor público na coordenação dos agentes, com a orientação dos setores da economia para qual tipo de esforço inovador pode ser feito e com a orquestração das organizações de apoio à inovação existentes.

b)      O Privado (Private) –  o esforço do setor privado no sentido de executar estratégias de inovação que melhorem seu posicionamento frente a concorrência, se articulando com os demais agentes e na perspectiva da inovação aberta, onde os inputs para a inovação são buscados em variadas fontes.

c)       As Pessoas (People) – o capital humano da localidade, dotado de competências e habilidades capazes de absorver novos conhecimento e aplica-los em diversos mercados, principalmente fora daquela região.

d)      O lugar (Place) – a região (cidade ou conjunto de cidades) que permite que haja proximidade física, de aprendizado e conhecimentos entre os diversos agentes do sistema de inovação. O lugar também tem que estar preparado para servir de apoio ao desenvolvimento da inovação, seja com infraestrutura, com ambientes de inovação ou com estímulos locacionais para os diversos agentes necessários para o desenvolvimento tecnológico.

Contudo, essas categorizações não funcionam de forma suave e linear, mas em movimentos de fluxo e refluxo de ações, instituições, empresas e condições do ambiente empresarial, principalmente em regiões com grandes desigualdades de renda e capacitação de mão-de-obra. Essas desigualdades dificultam o aprendizado e a absorção de tecnologias relevantes para o bom funcionamento empresarial. Geralmente é assim que o esforço inovador se dá no Brasil.

Mas, particularmente, o estado de Santa Catarina tem se mostrado perseverante em modificar essa realidade de desigualdade, soluções de continuidade política, além dos fluxos e refluxos intensos e que refreiam o desenvolvimento econômico.

Santa Catarina, atualmente, é o segundo estado do Brasil em competitividade perdendo apenas para São Paulo e superando o Paraná (https://goo.gl/MRKvJT). Em 2016 o estado era o 3º.  

Em Santa Catarina há um esforço coletivo para que haja a real integração dos 4 Ps e que isso resulte em algo consistente, como as 2.000 empresas comprovadamente inovadoras que existem no estado. A última demonstração do esforço de integração dos 4 Ps e compromisso com o desenvolvimento do estado foi a celebração do Pacto pela Inovação (https://goo.gl/yZ5nKW), na última segunda (30/10/2017).

Nesse evento ficou claro que não é só o Estado responsável pela articulação produtiva para a inovação, mas todas as organizações que estão interessadas no desenvolvimento econômico da região. Na ocasião foram lançados 13 Centros de Inovação, espalhados pelo estado como forma de nuclear o esforço inovador em diversas regiões do estado e retirar da capital a preponderância nessa questão. Foram 24 organizações do setor público e privado que se pactuaram formalmente com assinaturas de compromissos públicos, visando a estruturação e execução de políticas de inovação que respondam aos desafios tecnológicos enfrentados pelos diversos setores da economia daquele estado.

Mas, e Alagoas, como nós estamos?

Vou deixar abaixo uma figura para que o leitor tire suas conclusões.

 COMPETITIVIDADE AL E SC

 Bom trabalho e boa sorte!